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Fama sem Espiritualidade

1/12/2022

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Precisamos renunciar à fama, para podermos considerar-nos seres espirituais? Claro que não. O que podemos fazer, e não é nada fácil, é manter o desejado equilíbrio, conseguindo viver uma coisa e outra de forma saudável.
Por Carla Duarte


in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2022

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Equilibrar o que temos dentro, com o que nos vem de fora. Esse é o desafio.

Assim, a espiritualidade pode e deve enriquecer a fama, desde que não sejamos consumidos por ela. Isso seria sair, perigosamente, do equilíbrio que mantém a nossa sanidade e evolução, e faz a nossa vida fluir, independentemente da fragilidade da nossa imagem.

Para pensar se fama e espiritualidade são conceitos compatíveis, precisamos talvez definir que tipo de fama e que tipo de espiritualidade estamos a falar. Percebendo que ser famoso é ser conhecido ou reconhecido e por vezes, até podemos ganhar má fama, por algo menos bom que nem se chegou a fazer. 

Já a espiritualidade é algo que se conquista com muito trabalho interno e não há a necessidade de, obrigatoriamente o demonstrar, apenas de o viver para nós e por vezes colocar isso mesmo ao serviço da humanidade. Para um ser espiritual a fama é secundária e por isso bem-vinda quando chega, mas vivida com tranquilidade quando se vai embora.

Sabemos que tudo na vida é passageiro, até a própria vida e principalmente a fama. Para atingir a plenitude é necessário aceitar essa mudança constante sem demasiado drama ou apego, sem demasiado desdém ou orgulho, mas antes com gratidão idêntica quando ela chega à nossa vida e também quando se vai embora.

A espiritualidade faz-nos compreender mais profundamente que a fama pode parecer depender de algo realizado por nós, mas na verdade, ela é apenas o resultado das ideias e formas de pensar de um outro, que na maioria das vezes não nos conhece e faz apenas a sua interpretação, baseada nos seus próprios valores e nos julga perante os seus próprios padrões. E é isso mesmo que torna a fama algo tão perigosa. Tem tanto de forte e inebriante, como de decadentemente frágil porque depende sempre de uma referência exterior.

O lema “Cria fama e deita-te a dormir”, na espiritualidade não existe, porque aí o caminho, não é um dado adquirido, mas varia consoante o empenho e o tempo que aplicamos nessa jornada. Não se pode dizer - Eu sou espiritual, e sim - Eu estou espiritual, é algo que, quando bem feito, é entrega, crescimento, consciência e empatia. Começa como treino e aprendizagem e mantém-se como um estilo de vida e uma dádiva a nós e aos outros.

Se a fama pode existir numa pessoa espiritual, é o mesmo que perguntar se a fama pode existir numa pessoa não espiritual, claro que sim.

Por exemplo tanto o Dalai Lama ou Papa Francisco, que são indiscutivelmente famosos e são certamente espirituais. A diferença entre esses famosos e outros, do cinema, televisão, do teatro ou da política é que provavelmente a forma como lidam com essa fama, é mais desapegada e até mais saudável nos verdadeiros espirituais. 

Quando temos demasiada aversão ao tema, a ser conhecido ou ser reconhecido, e dizemos que assim é porque ‘não temos ego’, existe então algo mais a aprender, onde podemos crescer e equilibrar em nós a forma de aceitar, sem medo, que os outros podem ter poder sobre a ideia que fazem de nós, mas sem que isso nos afete demasiado.
​
Então estamos ainda na fase do Ermita. Um ser evoluído espiritualmente não tem problemas com poder ser famoso, entende que dessa forma pode chegar a um maior número de pessoas, que pode assim ajudar ou inspirar.

O bom de alcançar a fama e vivê-la de uma forma mais desprendida é que essa fama acaba por não nos definir, não nos afeta tanto nem quando esta está no auge nem quando está em declínio. Há a plena consciência do que valemos e do que somos e não é alguém de fora que tem o poder de mudar isso. A fama é controlada por outros, já a espiritualidade é mantida de nós para nós e não tem de ser afetada.

O ideal seria mesmo, sempre que a fama nos batesse à porta, começar a cultivar a espiritualidade, porque quando a fama, que pode ser muito cruel, nos bater com a porta na cara, teremos sempre a capacidade de perceber que há um motivo realmente para tudo ser como é, e agradecer em vez de desesperar.

Passar a ter má fama, por exemplo, pode ter repercussões devastadoras se não houver estofo emocional e espiritual.  Se não existir uma base muito forte, a crueldade da fama e de quem a comanda, pode arrasar com pessoas com tanta facilidade, como as encanta e inebria no início.

É urgente perceber que fama é algo exterior, que vem de fora. Algo que nos é colocado como um rótulo e que depende de quem nos vê e nos julga. A espiritualidade é algo de dentro, que não precisa de confirmações exteriores, que cresce connosco, nos aconchega e nos basta. No entanto, quando essa espiritualidade é reconhecida pode colocar-se ao serviço dos outros e ser uma mais valia aliada à fama.

Que a fama dependa sempre da boa espiritualidade, mas que a espiritualidade nunca dependa da fama.
​
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CARLA DUARTE
FORMADORA E TERAPEUTA DE ORIENTAÇÃO / TAROT
www.sites.google.com/view/carladuarteterapeuta
[email protected]

in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2022
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)​

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