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Serão os conflitos sempre negativos?

1/4/2022

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O conflito é sentido como algo negativo. No entanto, será que quando entramos em conflito é sempre negativo? Nas relações humanas existe mudança ao longo do tempo e a gestão de conflitos é algo que potencia o nosso desenvolvimento pessoal.
Por Carla das Estrelas


in REVISTA PROGREDIR |ABRIL 2022

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Quando falamos em conflitos é normal pensarmos em algo negativo que envolve desgaste de energia, confusão, tristeza, entre outras emoções menos agradáveis. Mas serão os conflitos algo a evitar e serão assim tão prejudiciais? 

As relações humanas são dinâmicas. Não são estanques, vão-se modificando ao longo do tempo independentemente do tipo de ligação e da sua duração (quer à escala de meses ou de anos). Assim, o conflito é natural e até imprescindível para o desenvolvimento do grupo e individual. 

Quando somos crianças o conflito tende a manifestar-se de forma mais física. É uma fase em que conflituamos por território, posses, atenção, entre outras coisas e situações. Embora seja aborrecido para o adulto assistir aos conflitos entre os mais novos, este é um comportamento que ajudará a criança a perceber qual o seu lugar no grupo, a percecionar-se a si mesma e ao outro. Aqui, o conflito ajudará a criança no processo de individuação.

Os conflitos dentro de uma relação de amizade, por exemplo, ajudarão a criança a gerir as suas emoções, a perceber a qualidade da amizade presente e a percecionar que tudo é cíclico na vida - há momentos de paz e bonança e há momentos de maior reboliço nas relações. Assim, a nível relacional é percetível que nas amizades mais sólidas, aprendam que mesmo com quezílias entre pares, a relação se mantém e daqui advém um upgrade na mesma, uma evolução onde cada um aprende a tomar o seu lugar. Portanto, em situações de conflito relacional há um “acertar de agulhas”, um reequilíbrio de todos perante uma situação que gera stress e desacordo. Mesmo que o resultado final seja a rutura da relação, ainda assim há a possibilidade de acontecer uma aprendizagem e evolução para todos. 

Não se está, aqui, a querer apelar ao conflito, a justificá-lo ou banalizá-lo. Não é disso que se trata. Apenas se está a referir que nem sempre o conflito terá de ser totalmente negativo, embora existam vicissitudes quando ele acontece. E continuando com o exemplo das relações, sempre que existe conflito, o comportamento entre as pessoas envolvidas não fica de todo igual, podendo existir mesmo a rutura ou não. No entanto, o que se pretende referir aqui, é que mesmo com toda a parte menos positiva de um conflito, este não terá de ser totalmente negativo, uma vez que poderá gerar aprendizagem e crescimento em todos os intervenientes. 

No exemplo que se deu, de conflito nas amizades e na sua gestão quando somos crianças, é uma forma de nos tornarmos adultos mais atentos e conscientes dos nossos comportamentos quando experienciamos situações de desentendimento. Portanto, toda a nossa vivência no que diz respeito a situações de conflito quando somos crianças precede o nosso comportamento em adultos na gestão de conflitos e na procura da pacificação relacional e perante a vida.

Em qualquer sociedade, os grupos e as pessoas não vivem sem um sistema de trocas, sejam elas de ordem económica, cultural, social e relacional. É aqui que aprendemos a ser, os nossos limites, o nosso lugar na sociedade, onde nos sentimos úteis e valorizados. É com este sistema de trocas que tentamos balancear o conflito e a paz nas nossas vidas.

Já em adultos conseguimos ter maior perceção das nossas ações e reações perante situações conflitantes. Um olhar mais atento e compassivo sobre esse acontecimento na nossa vida poderá levar-nos à ideia de que o conflito externo nada mais é que o reflexo de todo um processo interior que se encontra em conflito, manifestando-se e plasmando-se na nossa vida. 

Segundo o Princípio Hermético da Correspondência “Tudo o que está em cima é como o que está embaixo. Tudo o que está dentro é como o que está fora”. Desta forma o conflito está enredado interiormente e exteriormente. Muitas vezes ele já existe de forma latente, na história da própria pessoa ou do grupo. O conflito é já cultivado entre as emoções negativas e pensamentos mais sombrios e reprimidos pelo indivíduo. Quando surge a oportunidade, este conflito interno lança-se e projeta-se para o exterior em momentos de raiva ou de maior aspereza. Ou, em última instância sob a forma de um sintoma físico, de uma fragilidade que começa a surgir no corpo da pessoa. Temos, então no exterior o reflexo do que vai dentro da pessoa ou do grupo. 

Como encontrar Paz dentro do conflito? A resposta a esta questão é muito individual e simultaneamente muito sistémica. Começa no reconhecimento de que estamos todos interligados, numa unidade dinâmica de equilíbrio dinâmico, pois a vida é movimento. O caminho para a paz é um caminho de amor.

“Além do certo e do errado, existe um lugar; somente ali nos encontraremos” (Rabindranath Tagore). 
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CARLA DAS ESTRELAS
TERAPEUTA HOLÍSTICA
www.metamorphosestrelas.wixsite.com/terapiaseformacao
[email protected]

​in REVISTA PROGREDIR |ABRIL 2022
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Valorizar

1/3/2022

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Valorizar... que valor damos a nós mesmas... realmente? Que valor damos às pessoas que nos rodeiam, àquilo que gostamos e nos faz sentir felizes? Quantas e quantas vezes nos deixamos enredar nos afazeres do dia-a-dia e esquecemos a importância de cuidar de nós mesmas, dos nossos relacionamentos, das nossas amizades? Provavelmente, vezes de mais. Por São Luz

in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2022

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Para nos justificarmos, podemos dizer que a culpa é da falta de tempo e de um sem fim de circunstâncias que nos servem de argumento para continuarmos na mesma, mas a verdade é que a responsabilidade é nossa. Uma parte de nós sabe-o, saberá sempre e não se deixa enganar. Procurar calar a sua voz é uma vitória temporária que se paga cara.

Valorizar algo implica, necessariamente, estabelecer prioridades, fazer escolhas e assumir a responsabilidade por aquilo que fica para trás.

Será que nos sentimos capazes de lidar com as consequências das escolhas que fazemos em consciência ou preferimos acomodar-nos ao que é esperado?

Há muitos anos ouvi, no final de um curso, a formadora incentivar-nos a dizer, em alto e bom som: "Nada muda se eu não mudar!". Um anfiteatro cheio de pessoas repetiu-o uma e outra e outra vez... "Nada muda se eu não mudar!" A energia criada foi extraordinária, transformadora, poderosa. Experimente dizê-lo, agora, para si mesma... "Nada muda se eu não mudar!"

Precisamos parar, avaliar as nossas emoções, perceber se as justificações que damos são reais ( e se sim, verificar o que é possível fazer para melhorar o seu estado) ou se são um conjunto de crenças que nos foram incutidas pela família, pela sociedade, por vivências do passado que deixaram marcas e que estão a condicionar o nosso presente.

Se para si é realmente importante ter tempo para ler ou ir ao ginásio ou simplesmente tomar um pequeno-almoço com calma ou almoçar com a sua filha e raramente isso acontece; se aquela conversa que anda para ter há tempos é sistematicamente adiada, talvez seja bom perguntar-se o porquê de não o fazer. O que se intromete nos seus objectivos? Que sentimentos ficam calados cada vez que adia os seus planos em prol de algo "urgente"?

As emoções são um excelente barómetro para avaliar como estamos. Observe quais são as emoções que mais frequentemente experimenta e qual a sua habitual intensidade. Eis algumas: Alegria, tristeza, contentamento, vergonha, gratidão, mágoa, frustração, irritação, admiração, culpa, esperança, serenidade.
​
Ser feliz não tem de ser uma utopia nem tem de ser constituída por um conjunto de regras mais ou menos complexas ou de objectivos inalcançáveis. Ser feliz é um estado, é uma filosofia de vida que pode ser aplicada todos os dias, em todos os momentos.

Uma das pesquisas mais elevadas nos motores de busca é "Como ser feliz". Andamos desligadas de nós e procuramos fora as respostas que só conseguem ser dadas escutando o nosso interior.

Algumas reflexões poderão ajudar a que se alinhe com a sua verdade. Proponho-lhe um exercício:
Reserve algum tempo para si. Pegue numa folha e numa caneta. Desligue-se dos ruídos, das interrupções, respire fundo e...
1) Avalie as diferentes áreas da sua vida - pessoal, familiar, relacionamentos, profissional. Subdivida em categorias, se fizer sentido para si. Numa escala de 0 a 10, que valor dá a cada uma dessas áreas? Quão feliz está com cada uma delas? Tome o seu tempo e seja sincera.
2) O que será necessário para que a pontuação suba?
3) Estabeleça um objectivo que seja realista e que, quando alcançado, que lhe irá dizer, sem sombra de dúvida, que a sua vida, nessa área, melhorou.
4) Defina um tempo para levar a cabo aquilo a que se propõe.
5) Comece! Aja! Seja flexível e compassiva consigo mesma, mas determinada e corajosa quanto à busca da sua felicidade!!

Assim, o que precisa para ser feliz? Valorize-se, a si e à sua vida. Afinal... nada muda se nós mesmas não mudarmos!

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SÃO LUZ
COACHING E ASTROLOGIA
www.saoluz.pt
[email protected]

​in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2022
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Olho por olho, dente por dente: o cérebro vingativo

1/2/2022

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Punição ou vingança? Será que temos um cérebro “vingativo”? E seremos capazes de tomar decisões racionais no que toca à correção de injustiças? Enfrentamos desafios modernos com equipamento antigo! Por Ana Guimarães

in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2022

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Com ferro matas, com ferro morres. Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão. Paga-lhe na mesma moeda!

A sensação de injustiça esteve, desde sempre, na origem de boa parte dos conflitos. Tribais, familiares, profissionais, institucionais, internacionais, diplomáticos.

Contudo, não sendo um assunto “sexy” nem amplamente difundido (como o stress, por exemplo), o conhecimento sobre o que se passa com as pessoas nas situações em que se sentem injustiçadas ou assistem a injustiças com terceiros, não é assim tão abundante.

Pouco se sabe sobre os mecanismos neurobiológicos responsáveis pelas decisões de punição, da severidade da mesma e da compensação (eventual) de terceiros prejudicados.

Se para “acertarmos as contas” com alguém tivéssemos que nos prejudicar um pouco, fá-lo-íamos? Se fosse garantido que esse pequeno “investimento” teria um efeito maior no alvo da nossa ira, será que iriamos em frente? Aceitaríamos fazer um pequeno estrago em nós para provocar um estrago maior nessa pessoa, em nome da reposição da justiça?

A probabilidade de respondermos que sim é grande, sabemos disso, certo?

E apesar de poder estar no limbo social, entre o aceitável e o reprovável, a verdade é que existem razões mais profundas associadas à preferência pela justiça baseada no castigo.
 
O estudo
Num estudo publicado em 2018 (1), os autores utilizaram o “Jogo da Justiça” para examinar como o cérebro decide entre castigo e compensação.

Os participantes recebiam 200 fichas que poderiam, no final da experiência, ser trocadas por dinheiro.

Depois observavam enquanto outro participante, que também havia recebido as mesmas 200 fichas, decidia entre ficar com as suas ou roubar fichas a uma vítima, que poderia ser o próprio participante ou uma terceira pessoa.

Quando o participante era a vítima do roubo, era-lhe dada a oportunidade de castigar o ladrão, retirando-lhe fichas ao custo de 1:3 – pagar uma ficha para que sejam retiradas 3 ao abusador.

Quando o participante observava o roubo de fichas a um terceiro, poderia optar entre ceder fichas suas à vítima para a compensar ou tirar fichas ao ladrão.

A um grupo de controlo foi administrada ocitocina (neurotransmissor da empatia e da conexão) para avaliar o seu impacto na perceção da injustiça.
 
As conclusões surpreendentes
Este estudo aponta várias conclusões interessantes:
· A probabilidade do participante castigar o ladrão é maior que a de compensar a vítima.
 
· Quanto maior a transgressão (quantas mais fichas roubadas), maior a punição.
 
· A vontade de castigar e a severidade do castigo são maiores quando o próprio é alvo de injustiça do que quando assiste a situações de injustiça perpetradas a terceiros.
 
· A administração de oxitocina (neuroquímico da empatia e da conexão) leva à modulação dos castigos aplicados: mais frequentemente aplicados mas com severidade ajustada à gravidade da violação das regras sociais.
 
Justiça, Vingança e Empatia
Em tempos ancestrais, era mais crítico para a sobrevivência da tribo o castigo exemplar de quem quebrasse as normas do que a compensação a quem tinha sido afetado: o castigo estabilizava toda a tribo, compensar as vítimas impactava só as próprias e, por isso, tinha impacto reduzido no grupo, ficando para segundo plano.

Em boa parte da nossa vida quotidiana continuamos a utilizar estes mecanismos ancestrais que garantiram a sobrevivência da nossa espécie ao longo de milhões de anos.

A recompensa sentida pelo cérebro em situações em que castiga uma pessoa que viola as regras, é mais “saborosa” do que a sentida quando se dá apoio à vítima da injustiça em si. Mesmo na situação paradoxal de ambas as partes perderem: tanto quem castiga como quem recebe o castigo. E a gravidade do castigo acompanha a do estrago provocado, como forma de desencorajar transgressões graves.

Por outro lado, o fortalecimento da empatia nos grupos leva a que se gerem castigos mais frequentes mas mais pedagógicos e ajustados ao erro: mitigação do “efeito vingança”.

O chamado atualmente vem no sentido de tomada de consciência: somos nós a “fornada” que tem a responsabilidade de tomar consciência, sair do piloto-automático e ter a capacidade de implementar upgrades a este nosso dispositivo de sobrevivência fabuloso, porém a precisar de um bom refresh!

A chave para a sobrevivência da nossa espécie atualmente reside na capacidade de cooperação, na orientação para a colaboração como o nosso maior trunfo de sobrevivência, face a todos os desafios que se apresentam no nosso caminho de evolução enquanto espécie.

A tendência para valorizar mais as injustiças que nos são infligidas diretamente do que as infligidas a terceiros é a chave para alguma da nossa indiferença perante situações graves mas que não nos afetam diretamente. Pensar de que forma este instinto nos fragiliza atualmente, enquanto sociedade, é um exercício mesmo muito simples!

Por outro lado, punição ligada a centros de recompensa, sem calibração racional ou empatia é… Vingança! “Bem feito! Toma lá, que já almoçaste!”. São frases que utilizamos frequentemente.

É isso que temos programado nas zonas mais primitivas do nosso cérebro. E quanto mais antigo o mecanismo, mais desafiante é mitigá-lo.

Tomada de consciência e aprofundamento do nosso autoconhecimento são as pedras de toque para esta grande revolução. Com maior conhecimento, vem sempre maior responsabilidade. E vem também maior potencial de transformação: está, realmente, nas nossas mãos!
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ANA GUIMARÃES
NEUROCOACH, TRAINER E SPEAKER
www.anaguimaraes.pt
[email protected]

​in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2022
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Assumindo a Responsabilidade pela nossa própria vida

1/1/2022

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Podemos começar a mudar a nossa vida, agora. Para isso é necessário dar um passo fundamental: Decidirmos conscientemente que somos os únicos responsáveis por ela. Por Paulo Cordeiro

in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2022

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Já somos seres livres, mas aprendemos a caminhar na vida como se isso não fosse verdade. Estamos muito habituados a procurar o confortável e a jogar pelo seguro, acreditamos que temos de fazer algo para provarmos o nosso valor, ou que não somos merecedores. São muitas as mentiras que ocupam espaço na nossa mente, e que guiam as nossas vidas. Viciámo-nos em dar-lhes demasiada atenção, e continuamos a reforçá-las quando agimos em função delas. Podemos, por exemplo, sentir-nos desconfortáveis quando recebemos algo de alguém e dizemos “não era preciso!”. Ou quando ficamos em relacionamentos que não nos estão a fazer bem, porque é mais seguro ficar do que enfrentar o desconhecido.

Estamos também muito habituados a culpar e a julgar o mundo à nossa volta, mas é apenas uma forma de libertarmos a frustração que sentimos por não nos sentirmos bem com quem somos. E mais uma vez, quanto mais o fazemos, mais reforçamos a ideia de que a culpa pelo nosso estado, é do que está lá fora.

Sem nos apercebermos, retiramos a responsabilidade de nós e entregamos a responsabilidade pela nossa vida e pela forma como nos sentimos, aos outros. Entregamo-la de bandeja. Foi essa a nossa aprendizagem. Não fomos treinados para assumirmos as rédeas da nossa vida, e esperamos que os políticos, os pais, os maridos ou as mulheres, os amigos, façam alguma coisa e só assim nos vamos sentir bem. Acontece que, isso não tem nenhum poder, e deixa-nos numa posição extremamente dependente dos outros e das circunstâncias.

Então, o nosso bem-estar fica dependente do que acontece no exterior. Se as condições forem as ideais então sentimo-nos seguros, se não forem sentimo-nos deprimidos ou ansiosos. Damos prioridade à segurança em vez da liberdade. A liberdade para vivermos a vida que realmente queremos e com quem escolhermos. A liberdade para criarmos as nossas próprias regras. A liberdade para sentirmos amor, alegria, tristeza, medo, e tudo aquilo a que temos direito.

Para que isso aconteça, é necessário assumirmos cada vez mais a responsabilidade pela nossa própria existência. Ninguém é responsável por nós, nem nós somos responsáveis por ninguém. Os nossos filhos sim, quando são pequenos, o seu grau de autonomia não existe ou é muito limitado, e nós somos a sua ancora. Mas se queremos sentir-nos mais livres, é importante que olhemos de frente para a verdade, nua e crua, de que somos responsáveis pelo nosso bem-estar, mais ninguém. Os outros podem dar opiniões, dar-nos atenção, dar-nos carinho e por aí fora. E nós podemos fazer o mesmo. E é nesta interação que vamos progredindo, vamos crescendo e vamos experimentando.

Não é um processo de tudo ou nada, nem tanto de tentarmos nos tornar perfeitos. É sim, um caminho de progressão, em que estamos a sair cada vez mais dos hábitos de vitimização, para nos tornarmos cada vez mais líderes de nós mesmos. Um passo de cada vez, cada um ao seu tempo e ao seu ritmo.

E sim, vão existir momentos em que podemos sentir desconforto. São as chamadas dores de crescimento.

as ficar onde estamos e não querermos mudar, é muito mais desconfortável e muito mais doloroso.

Procurarmos constantemente segurança e conforto dói muito mais. A vida acontece entre o conforto e o desafio. Existem momentos para recolher e momento para nos expandirmos. Querermos contrariar a nossa expansão e crescimento, leva ao sofrimento. Isto porque todo o universo está em expansão, então, toda a dor que possamos sentir agora, é uma consequência de não estarmos alinhados com quem realmente somos e com a nossa expansão natural. E para que isso possa começar a acontecer, é necessário tomarmos a decisão consciente de que só nós podemos fazê-lo acontecer, responsabilizando-nos um pouco mais a cada momento. Responsabilizando-nos pelo que sentimos, pelo que dizemos pelo que fazemos e não fazemos. Ao assumirmos as consequências das nossas decisões, sejam elas quais forem, estamos a dizer que sim à liberdade que já somos. E ao dar espaço para que essa liberdade seja possível, começamos a ver a vida com outro olhar e não de uma forma distorcida. Só assim é possível ver as coisas como elas são, e passarmos a criar a vida que realmente queremos. Afinal de contas, não recebemos nenhum email a dizer como a vida deve ser vivida. 

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PAULO CORDEIRO
ESPECIALISTA EM TRANSFORMAÇÃO PESSOAL E PROPÓSITO DE VIDA
www.paulocordeiro.pt
[email protected]

​in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2022
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A Dualidade do Ser Humano

1/12/2021

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Porque queremos e não queremos, gostamos e não gostamos, sentimos e não sentimos, somos e não somos, tantas vezes de formas diferentes e até em simultâneo? Por Susana Amaral

in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2021
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)
Segundo a Psicanálise, a dualidade é a construção ideológica de que existem forças opostas a agir num mesmo objeto, contribuindo para uma inerente batalha interna que faz parte da existência.

Sentimos alegria e tristeza, ilusão e desilusão, felicidade e dor, coragem mas também medo. Somos emoção e razão, fortes e fracos. Rimos e choramos ao mesmo tempo. Gostamos de luz e sol, mas há momentos em que queremos escuro e solidão. Podemos sentir-nos felizes e desesperados no mesmo dia. Apercebemo-nos com tendo uma série de traços muito específicos, decisivos e absolutos, mas, na realidade, quem somos, o que gostamos, o que queremos verdadeiramente?

Muitas vezes a nossa visão pessoal limita-se a ver tudo o que nos rodeia e a nós próprios, em termos absolutos e dicotómicos. As pessoas são boas ou más, racionais ou emocionais, felizes ou infelizes, inteligentes ou ignorantes, verdadeiras ou falsas... A Sociedade, a cultura, a educação, a família, impõem comportamentos apropriados e relegam comportamentos fora dos padrões estipulados. Há um padrão de normalidade que nos é imposto, de acordo com uma média que não se ajusta à diversidade e complexidade do Ser Humano. Medida essa que não serve para todos e que deixa muitos a crer que não podem ser ou sentir-se diferentes. 

Felizmente não somos todos iguais e é a diferença que torna o Ser Humano mais interessante, especial e único.

Embora todos cheguemos completos a este mundo, a nossa educação, experiências, o contexto e nós mesmos, escolhemos e decidimos, consciente e inconscientemente, o que queremos mostrar, desenvolver, ocultar ou rejeitar. Reunimos qualidades, capacidades e características que, por si só, constituem uma diversidade rica e às vezes até contraditória. 

Vivemos a vida à procura de coerência, quando é de incoerências que é feita a própria existência. E talvez uma das maiores missões de vida, seja aprender a viver no equilíbrio das dualidades.

É na liberdade de poder ser, estar, pensar e sentir diferente, que se dão as maiores expressões de criatividade, de conhecimento, de crescimento e desenvolvimento humano. E quando negamos os nossos defeitos, medos e erros, negamos a nossa essência, que é feita de perfeição e imperfeição, de bom e mau, de certo e errado. Não existimos como seres completos, sem os nossos comportamentos, sentimentos ou emoções ‘inaceitáveis’. Eis a dualidade.

O que não aceitamos, evitamos reconhecer ou melhorar em nós, é relegado à ‘sombra’. O ato de esconder o que não se quer assumir, gera sofrimento e contradição. 
(Carl Jung)

Compreender a dualidade do Ser humano é acolher que somos feitos de contradições, de amor e ódio, de felicidade e tristeza, de abundância e escassez, de corpo e mente, de crescimento e regressão, de matéria e energia, enfim, de tantas dualidades que influenciam o nosso viver!  É da conjugação das dualidades que se forma a unicidade de cada um.

Procurar o autoconhecimento, o amor, a cura. Viver cada emoção no seu tempo, no aqui e no agora, aprendendo a encontrar a luz e acolher a sombra, a crescer e renovar, num movimento cíclico de metamorfose constante. Escolher viver, ao invés de fugir do que se sente. Não se pode escolher sentir ou viver pela metade. Fugir da sombra, da dor, do medo, não se permitindo sentir, é perder a luz, alegria e bem-estar que se pode ter. Não haveria consciência de um, se não fosse pelo outro. Precisamos Ser em plenitude, com o que magoa, amedronta e faz sofrer, mas também com tudo o que nos traz êxtase, alegria, felicidade, amor, compreensão, aprendizagem e tantas emoções e sentimentos positivos, que dão sentido ao nosso viver. Não há felicidade sem dor, alegria sem tristeza, luz sem sombra. Ser feliz exige esforço e dedicação.

Importa reforçar que a ideia não é deixar que o lado negativo, da dor, sofrimento, medo, sombra se apodere de nós sem nada fazer, mas sim reconhecer e acolher, para que possa ser trabalhado positivamente.

A vida não é absoluta e dicotómica, não é preto ou branco, certo ou errado... No ser humano, assim como na própria vida, tudo é relativo e pode mudar num dado momento. 

O autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, não é sobre tornar-se algo ou alguém, mas sobre ser honesto consigo mesmo e (re)conhecer as suas ‘imperfeições’, aceitá-las primeiro, para que possa ajustá-las, experimentando a liberdade de Ser, num equilíbrio possível entre mente e coração, razão e emoção, pensamento e ação. Tornar coerente a incoerência da dualidade, tomando as ‘rédeas’ da sua vida e fazendo as suas escolhas e decisões com consciência.

Este (re)conhecimento e (re)conciliação pode ser feito no campo terapêutico, permitindo conhecer de forma consciente, pensamentos, emoções, sentimentos, memórias, experiências que sustentam a verdadeira essência e identidade. Questionar possíveis crenças, regras, tradições, convidando a libertar-se do conhecido e abraçando a busca de um possível desconhecido, saindo da zona de conforto na expectativa de alcançar algo maior que traga liberdade e tranquilidade. 
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Há uma tendência para negar um dos lados da dualidade para evitar o sofrimento. Mas, o que é a realidade? O certo? O errado? O melhor e o pior? Haverá uma só realidade ou conjugação de diferentes perspetivas para cada um? Viver é aceitar cada uma das possibilidades e encontrar um equilíbrio personalizado para os seus polos. É permitir-se viver nesta realidade dual, encontrar equilíbrio neste desequilibro e coerência nas incoerências. Aceitar o bom e o menos bom do que é, afinal, Viver!
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SUSANA AMARAL
PSICÓLOGA CLÍNICA, FORMADORA E COACH
www.SusanaAmaral.pt
www.ClinicadasEmocoes.pt
www.akademiadoser.com/susanaamaral 
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​in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2021
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A Essência da vida

1/11/2021

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O que é a essência da vida? A simples formulação desta pergunta já nos transporta para o mundo da reflexão profunda, levando-nos a questionar hábitos, crenças e comportamentos. Será que estamos vivos apenas para trabalhar para ganhar dinheiro, para comprar comida e para nos divertirmos? Será essa a essência da vida? Será por isso e para isso que existimos?
​Por Fátima M. Lopes


in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2021

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Estar vivo será sinónimo de cumprir normas, preceitos e padrões culturais com breves interrupções em que nos permitimos infringir as regras, bebendo um pouco demais, gastando acima do nosso orçamento ou extravasando numa discoteca ao som de música tecno? Será que viemos ao mundo para estudar, arranjar emprego, comprar casa e carro, casar, ter filhos, trabalhar, ir de férias, trabalhar, ir de férias… reforma… morte… fim da história? Ou será que estamos aqui para evoluir enquanto seres cósmicos e espirituais a viver uma experiência humana? É nesta última hipótese que acredito.

Os acontecimentos, os dramas, as personagens e os enredos da nossa história pessoal são apenas o contexto para a nossa jornada evolutiva. A essência da vida é mudança, transformação e crescimento. Infelizmente, a nossa sociedade ocidental está presa naquilo a que Étienne Guillé chamou “o ciclo do produzir-consumir-morrer”. Vivemos mais a vida por via da imitação do que vemos os outros fazerem do que por via da autorreflexão, buscando no nosso interior a clareza de respostas que nos possam servir de guias no caminho. Se olhássemos mais para dentro e nos questionássemos sobre a essência da vida, veríamos que não viemos ao mundo para cumprir horários e rotinas, mas sim para alcançarmos a melhor versão de quem somos. Uma árvore procura crescer em direção ao céu; um rio procura chegar ao mar e os seres humanos procuram a transcendência. É essa a nossa natureza mais profunda. Mas os ritmos alucinantes da época em que vivemos não nos deixam tempo nem espaço para refletir a este respeito.

Assim, vamos olhando para o exterior em busca daquilo que achamos que é esperado de nós, e ajustamo-nos ao paradigma vigente sem sequer o questionar. Quando damos por nós estamos exaustos de tanto labutar e continuamos sem saber que raio andamos aqui a fazer. Para nos aliviarmos desse desconforto procuramos alívio no consumo de todo o tipo de bugigangas; em viagens para lugares exóticos ou em maratonas de séries televisivas. Não estamos presentes, estamos em piloto-automático. Não estamos de facto a viver a essência da vida, estamos apenas a lutar pela sobrevivência e a descansar dessa luta nos poucos tempos livres disponíveis. Alguns poderão dizer que sempre foi assim, mas não é verdade. O ser humano sofreu uma cisão entre si e o misterioso, entre si e o sublime, entre si e o transcendente nos últimos trezentos anos, com o advento do materialismo cientifico.  Esta visão mecanicista da vida convenceu-nos de que o universo funciona como uma máquina e de que até o nosso corpo se assemelha a uma máquina. Por isso passámos a comportar-nos como se fossemos de facto máquinas. E o que fazem as máquinas? As máquinas fazem operações, executam tarefas, fazem cálculos, executam processos. As máquinas não têm vida mental, emocional e muito menos espiritual. Mas nós temos tudo isso, só que esses aspetos menos pragmáticos da nossa natureza foram excluídos da equação. Para invertermos esta tendência destrutiva, deveríamos ser capazes de parar com frequência. Fazer pausas significativas para explorarmos o que nos vai na alma, deixando-nos conduzir por essa força misteriosa que vem do nosso interior (e que sabe sempre o que está certo); em vez de nos perdermos na catadupa de estímulos exteriores, que apenas nos anestesia da dor profunda que sentimos, pelo facto de nos termos desviado da essência da vida e do nosso caminho original. 

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FÁTIMA M. LOPES
AUTORA DO LIVRO: “UMA VIDA COM PROPÓSITO”

​in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2021
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Ser Integridade

1/10/2021

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”Qualidade de íntegro. Carácter daquilo a que não falta nenhuma das suas partes. Estado de são, de inalterável.” Por Ana Paula Rodrigues

in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2021
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Há muito tempo, havia um mestre que vivia num templo muito velho em ruínas, com um grande número de discípulos.

Todos sobreviviam de esmolas e de doações que conseguiam na cidade mais próxima, mas muitos dos discípulos começaram a reclamar das péssimas condições em que viviam.

Em resposta, o velho mestre disse: “- Deveríamos reformar as paredes do templo, uma vez que ocupamos todo o nosso tempo a estudar e a meditar, não há tempo para trabalhar e arranjar o dinheiro que precisamos para as obras do templo. Assim, pensei numa solução simples".

Todos se reuniram diante do mestre, ansiosos em ouvir as suas palavras.

 Então o mestre disse:

 "- Cada um de vós deve ir para a cidade e roubar bens que poderão ser vendidos para arrecadar dinheiro. Desta forma, seremos capazes de fazer uma boa reforma no nosso templo".

Os estudantes ficaram espantados por este tipo de sugestão vir de um sábio mestre. Mas, todos tinham o maior respeito por ele, e não levantaram nenhuma objeção.

O mestre disse logo a seguir, de um modo bastante severo: “- No sentido de não manchar a nossa excelente reputação, por estarmos a cometer atos ilegais e imorais, solicito que cometam o roubo somente quando ninguém estiver a ver. Eu não quero que ninguém seja preso!".

Quando o mestre se afastou, os estudantes estavam confusos “- É errado roubar!", disse um deles, "- Por que o nosso mestre nos solicitou para cometermos este ato?".

Logo um outro respondeu prontamente: "- Porque isto permitirá que possamos reformar o nosso templo, e isso é uma boa causa!"

Assim, todos concordaram que o mestre era sábio e justo e deveria ter uma boa razão para fazer este pedido. Rapidamente, partiram em direção a cidade, prometendo coletivamente que nenhum seria visto, nem preso para não causar desgraça para o templo.

 "- Sejam cuidadosos e não deixem que ninguém vos veja a roubar!", incentivavam uns aos outros.

Todos, com exceção de um, foram para a cidade. O sábio mestre aproximou-se dele e perguntou-lhe: "- Por que ficaste para trás?"

O menino respondeu: "- Eu não posso seguir as suas instruções para roubar onde ninguém esteja a ver. Não importa onde eu vá, eu sempre estarei olhando para mim mesmo e saberei que é errado.”

“- Os meus próprios olhos irão ver que estou a roubar". O sábio mestre abraçou o estudante com um sorriso de alegria e disse: "- Eu estava a testar a integridade dos meus estudantes e tu foste o único que passou no teste!"

Após muitos anos, o menino também se tornou num grande mestre. (Autor Desconhecido)

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A verdade é que não conseguimos esconder nada daquela pessoa que nos olha no espelho… nós mesmos.

Para viver em paz e as pessoas confiem em si, terá de preservar a sua integridade de todas as formas possíveis, uma vez que esta se manifesta nas mais pequenas “ações” da sua vida, no seu dia-a-dia… é aquela “zona sagrada”, que se ultrapassamos, deixa marcas a curto ou a longo prazo.

A integridade é uma daquelas qualidades que uma pessoa tem ou não tem, faz parte do ser e da sua personalidade. As pessoas íntegras têm uma conexão mais profunda com o mundo que as rodeia, não pensam apenas em si, são capazes de ver além, têm visão e encontram soluções positivas e criativas. Importam-se realmente com o outro, e dão o seu melhor para ajudar todos aqueles que precisam de apoio.

Um indivíduo íntegro mantém sua conduta, tal como o estudante em relação à ordem do mestre, apesar de o respeitar ou mesmo diante de situações que poderia tirar algum proveito para si. Esta conduta está relacionada diretamente à ética, responsabilidade, transparência, comprometimento, conexão, autenticidade.

Existe uma sintonia entre o que pensamos, dizemos e fazemos.

Quando há integridade, o comprometimento, o discurso e tomada de decisões são orientadas 100% pela transparência, ética e honestidade, além disso, todo o comportamento está alinhado com os valores, crenças e convicções.

Num mundo cada vez mais global, onde certos estilos e muitas tendências nos podem manter motivados para sermos algo que não somos e até menos do que somos, temos de nos concentrar em sermos nós mesmos, a integridade começa sempre em nós.

Seja inteiro, seja sempre você mesmo e certifique-se de ser o melhor que pode ser. As pessoas íntegras, apesar de saberem o seu valor, mantêm-se humildes, nunca se acham superiores aos outros, no entanto investem e trabalham sempre para melhorar.

Ser íntegro é fundamental para convivermos em sociedade e consequentemente para trabalhar em equipa. No entanto, algumas pessoas não percebem o conceito, outras ignoram, ou simplesmente não são. Pessoas íntegras são responsáveis, comprometidas entendem que a sua vida e o seu sucesso estão nas suas mãos, não arranjam desculpas.

Lembre-se que quando é “Extremamente simpático” para alguém para ter vantagens e depois fala mal pelas costas, não está a ser “ecológico” consigo, quando um comportamento não é natural e verdadeiro, vai existir um conflito interno, não há integridade interna, nem externa. A integridade é a coerência entre as suas palavras e ações, em relação ao seu mundo interior e exterior.

Faz parte do desenvolvimento pessoal ser íntegro consigo mesmo, ser autêntico, e isso muitas vezes não acontece, porque estamos sob a influência de alguém, de um grupo ou de situações que julgamos não controlar. As pessoas que se apresentam ao mundo tal como são, sem se esconder atrás de máscaras ou mentiras, elas vivem a sua verdade e mantêm-se fiéis às suas crenças e valores, não se importam com o que os outros pensam.

Acredite! SER quem realmente é será, provavelmente, o maior desafio de toda a sua vida. No entanto, as pessoas íntegras sabem o quanto é importante ter um olhar positivo a tudo o que acontece, porque mesmo as situações mais desafiantes podem trazer-nos grandes lições de vida, e o primeiro passo é descobrir quem realmente é.

O segundo passo será manifestar-se em harmonia, em relação ao seu mundo interior e exterior e com coerência entre as palavras e as ações, aí sim. A magia acontece.
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ANA PAULA RODRIGUES
YBICOACH - SUCCESS CAREER & LIFE STRATEGY COACH
www.ybicoach.pt
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​in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2021
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Superação

1/9/2021

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A intenção de superação diária abre a consciência e atenção a tudo o que faz par te da vida, melhorando e aprendendo como ser e fazer melhor, apesar das contrariedades encontradas. Por Isabel de Jesus

in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2021

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Na sociedade materialista onde vivemos, o conceito de superação é mencionado como se fosse um patamar a que todos têm que chegar, ter um papel de destaque no seu núcleo familiar, trabalho, amigos e ser socialmente considerado como alguém relevante.

Este ano assistimos aos Jogos Olímpicos, onde, de uma forma muito factual, assistimos à superação de muitos atletas nas suas conquistas individuais e colectivas. A superação pessoal é mais complexa do que um próprio desejo de se ultrapassar, de ir mais longe, ou de querer ser reconhecido socialmente. Exemplo claro é o de Simone Biles que, apesar de ter levado consigo a pressão de defender o título de melhor ginasta do mundo, optou por desistir do seu objetivo de conquistas de superação em prol de algo mais importante: a sua saúde mental. Devemos olhar para este posicionamento da atleta como a abertura de um novo estatuto possível para os atletas e para todos em geral. Humanizar o sentido de superação é fundamental na construção de uma nova sociedade onde todos somos chamados a participar e inspirar o colectivo.

A superação é algo inato em algumas pessoas, mas não em todas. As características individuais, como o tipo de personalidade, o ambiente onde cresceu, o país e até a época onde nasceu, são componentes diferenciadores na altura de se conseguir superar algo ao longo da vida.

Assistimos muitas vezes a histórias de vida de pessoas que, contra todas as expectativas, rompem com aquilo que seria expectável para o seu percurso de vida, tornando-se exemplo para toda a sociedade, que promove a superação a que preço for. Aquilo que é usualmente encarado como superação - a nível económico, de estatuto social ou aparência física - pode ser, na realidade, uma forma de aniquilação individual. A superação movida pela ambição não é superação - é entregar as rédeas condutoras da vida ao EGO e deixá-lo conduzir. É um caminho perigoso e infeliz em que a qualquer momento tudo cai e nasce o vazio.

A palavra superação eleva-se quando existe um trabalho de autoconhecimento que ilumina a perspetiva de cada ser sobre si próprio e nasce uma necessidade de trabalhar a sua essência genuína e de contribuir para uma mudança da sociedade.

Superar é ir mais longe é dar-se a oportunidade de sair da zona de conforto para se conhecer. É algo muito pessoal e íntimo que precisa de muita determinação, força e organização, porque nem sempre a motivação aparece. É um caminho de altos e baixos em que o dia-a-dia é saboreado mesmo quando as dificuldades aparecerem, porque as dificuldades também fazem parte do caminho e são para ser ultrapassadas.

A resistência de conseguir superar a inércia de fazer o caminho no sentido da sua essência interna é o grande obstáculo. Esta inércia vai arranjar todo o tipo de desculpas para  que o objetivo maior seja adiado para algures no futuro. Esta inércia faz com que a maioria das pessoas viva uma vida rotineira, satisfazendo só as suas necessidades básicas, evitando assim qualquer esforço de mudança. Estar socialmente ativo em qualquer área social e individual requer agir, ser coerente e comprometer-se. «Não vale a pena fazer nada porque tudo vai continuar  igual» é a desculpa para não ultrapassar a inércia e superar um comportamento limitador.

Ter um sentido para a vida, um fio condutor, é o alicerce. Este sentido para a vida é algo profundo, é como subir um degrau de cada vez e sentir-se cada vez mais feliz e em paz.

Este sentido para a vida pode ser o detonador de tudo, é entregar-se em amor. Só isso. Crescer enquanto ser humano, estar socialmente presente e contribuir para uma sociedade melhor, mesmo parecendo que não vai fazer a diferença… sem necessidade de reconhecimento público. Superar é ultrapassar o que for necessário para chegar a um lugar mais alto onde a perspetiva da vida se torna mágica e solidária.

Vivemos tempos desafiadores, pois o desejo de protagonismo social vazio chegou ao limite. É tempo de parar de olhar para dentro, analisar todo o percurso e ressignificar o sentido da vida superando os condicionamentos, crenças e limites internos. É tempo de preparar a construção de um modo de estar mais simples e mais alinhado com a essência individual.

Superar é vencer a inércia e percorrer o caminho que conduz à natureza única de cada ser e partilhar com o todo. 
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ISABEL DE JESUS
TERAPEUTA HOLÍSTICA PARA UMA EVOLUÇÃO CONSCIENTE LEITURA DE AURA E ASTROLOGIA
Instagram: aura.a.mar
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​in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2021
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Felicidade

1/8/2021

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Qual é o significado da felicidade? É uma meta, um destino, uma forma de viver? Por Diana Dinu

in REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2021

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Desde os tempos antigos, a natureza da felicidade tem sido debatida pelos filósofos mais famosos. Continuaremos hoje inspirados pelas reflexões de Aristóteles sobre a felicidade. Todos nós queremos viver bem, sentir-nos plenos e felizes, mas às vezes ficamos condicionados devido às circunstâncias externas. No entanto, quando reconhecemos que ser feliz é um trabalho interno, abrimos possibilidades infinitas para o nosso bem-estar e nos permitimos criar uma jornada mais fiel a partir da nossa bússola interna. Com base nas reflexões de antigos filósofos sobre a felicidade, este artigo é um convite a parar e refletirmos sobre onde nos situamos acerca desse assunto e como encontrarmos maneiras mais objetivas para nos inspirar nessa busca incessante de alcançar a nossa felicidade.

A felicidade é um estilo de vida ou um destino?

A natureza da felicidade tem sido um tema de reflexão desde a antiguidade clássica. Filósofos como Demócrito, Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros, continuam a nos inspirar acerca do conceito da felicidade, que, por mais subjetivo que seja, reflete o anseio do humano de viver bem.

Tanto em espanhol - “Felicidad” como em português -“felicidade”, assim como felicità em italiano ou “fericire” em Romeno, as palavras para a felicidade têm raízes na palavra latina 'félix' que significa "fértil" e que parece ter sido acumulado muitos significados positivos ao longo do tempo como bem-sucedido, feliz, rico, agradável, charmoso, benéfico, habilidoso, prolífico.

O filósofo ocidental Demócrito conhecido como o "o filósofo risonho" foi o primeiro que enfatizou a virtude da "alegria". A felicidade ou bem-estar na etimologia grega era nomeada por "Eudaimonia" e tinha como o maior objetivo uma conduta moral que detinha as virtudes necessárias para alcançar a felicidade, o bem-estar. Objetivamente, Aristóteles referiu-se à importância de destacar os constituintes desse bem-estar e definir as ações necessárias para alcançá-lo.

Muitos filósofos têm contribuído para a ampla investigação sobre o que é a felicidade. Demócrito dizia que a felicidade não tem origem nem na sorte, nem nas circunstâncias externas, mas que ela “mora na alma“. Essa visão nos abre para uma reflexão mais profunda. É um convite para parar e observar, refletirmos sobre onde nos situamos nesta busca incessante da felicidade. Qual é a atitude pessoal, quais são as crenças e quem nos falou pela primeira vez sobre a felicidade? Conhecer melhor quais são as crenças que nos moldaram a nossa visão é igualmente importante como a ação que investimos para alcançar o nosso bem-estar. Senão podemos influenciar as nossas circunstâncias, cabe a nos escolher mudar a nossa atitude perante qualquer desafio na nossa vida.

Abraham Lincoln disse que “geralmente as pessoas são tão felizes quanto decidem ser”.

Então, se nós decidirmos ser felizes, como poderíamos imaginar uma prática quotidiana para cultivar um hábito positivo? Seria suficiente o compromisso de buscar a nossa felicidade em qualquer uma das suas formas, para viver um “Eu” mais um verdadeiro e autêntico? Se acordamos todos os dias mantendo na nossa mente a intenção de viver com uma atitude correta para o nosso bem-estar, aprofundar as nossas virtudes, seria suficiente alcançar a felicidade? Aprender a aceitar e valorizar a diferença, saborear a variedade das nossas experiências é apreciar a riqueza da natureza humana, isso seria um dos “exercício das virtudes” como Aristóteles sugeriu, uma prática que nos permita encontrar o equilíbrio entre “excesso e deficiência”. A visão de Aristóteles sobre felicidade ainda continua nos inspirar para ver a felicidade como ele, para além de um estado temporário, mas como um propósito da nossa existência humana, uma forma de viver. Isso seria uma prática consciente, que nos permitirá criar um foco para uma atitude positiva perante a nossa vida.

Gretchen Rubin, a autora do “The Happiness Project” acredita que não existe uma única solução que nos ajuda tornarmos mais felizes e que é necessário aprofundar o nosso conhecimento sobre a natureza humana para entender como podemos realmente melhorar as nossas vidas. O nosso “Eu” torna-se mais saudável, mais produtivo ou mais criativo quando nos conhecemos melhor e sabemos o que funciona, ou não para nós, desta forma tornamos mais conscientes acerca do que precisamos de nos responsabilizamos para mudar os nossos hábitos e as nossas vidas.

Saber que podemos cultivar o nosso bem-estar pode servir como uma bússola para navegar nas nossas vidas de uma forma mais serena, leve e feliz.

Podemos pensar na felicidade como um hábito quotidiano ou uma visão para a vida. O monge budista Matthieu Ricard diz que podemos treinar as nossas mentes para criar hábitos de bem-estar e para gerar um verdadeiro sentido de serenidade e realização nas nossas vidas. Isso vem do discernimento de fazer a distinção entre o que nos preenche e nos faz feliz e o que não.

Mas o que é que melhor descreve a felicidade? Que haja uma visão individual ou uma visão comum, isso pode abrir uma ampla discussão sobre quais poderiam ser os componentes da felicidade. Portanto, o que é felicidade para si?  Quantas vezes ouvimos que a felicidade não é um destino, mas uma viagem!? Isto poderá nos lembrar apreciar a jornada da nossa vida, saber que o destino é escolher ser feliz. Portanto, pare por um momento e dá-te a resposta a essa pergunta: O que mais contribui para a minha felicidade? E porquê? Se a felicidade assenta na profunda satisfação, como Dalai Lama diz qual é o caminho para lá chegar? De qual modo podemos cultivar e viver a nossa alegria, desenvolver as certas habilidades para progredir e alcançar um bem-estar duradouro e equilibrado?

Dá nos felicidade sentir e saber que temos uma escolha? É importante saber que temos sempre escolha, mesmo que por vezes algumas deles poderão nos trazer desafios, confrontar nos com o desconhecido, com a dor. Nestes momentos, teremos a oportunidade nos conhecer melhor, estar atentes e ver quais são as estratégias ou as habilidades que podemos cultivar e reforçar em nos para continuar seguir a nossa bússola interna, o nosso verdadeiro ser autentico ao respeito dos nossos valores acerca da felicidade, como um modo da vida.

Na verdade, “A felicidade não é a ausência de problemas, é a capacidade de lidar com eles.” – disse Steve Maraboli no seu livro “Life, the Truth and being Free”. Nesta perspetiva, cabe a nos cultivar uma atitude correta e ser cada vez mais fieis perante as nossas necessidades.

Se todos os dias acordarmos com a intenção de viver à altura de cada momento, nos dá a oportunidade de estar mais conectados connosco, sentir melhor o que é agradável ou benéfico e escolher cada vez mais neste sentido.  Sem dúvida, quando estarmos desafiados perante a vida, os pensamentos podem tornar-se mais negativos, se calhar o foco nas tarefas quotidianas e diárias nos cansa e eventualmente podemos sentir que por vezes estamos muito longe de alcançar a felicidade. Porem, teremos sempre uma escolha como agir, por exemplo, ao escolhermos ter um momento de silêncio podemos dedicar esse fôlego à nossa gratidão por estarmos vivos, independentemente das vicissitudes da vida quotidiana e, principalmente, dos desafios do dia-a-dia, podemos decidir à cada respiração nos respeitar, estar ao serviço da nossa intenção, ser feliz.

Uma metáfora que surge acerca disso, é imaginar que a sua felicidade é uma flor que precisa de agua, luz, uma terra fértil e de ser cuidada conforme as necessidades dela. Assim, se gostamos e apreciamos a beleza que essa flor, nós dá, a cuidamos com muito amor e somos mais responsáveis. Como a importância de conhecer as necessidades dessa flor, é igualmente importante conhecer as nossas necessidades. Maslow, na sua pirâmide das necessidades refere às 3 categorias importantes que, de acordo com ele, influencia a nossa felicidade: às mais básicas, fisiológicas - o cuidar o nosso corpo, as psicológicas – o cuidar do nosso bem-estar mental e a parte de autorrealização e de crescimento pessoal.

No fundo, cabe a nós criar um “terreno fértil” para cultivar as virtudes que precisamos para o nosso bem-estar. Uma vida feliz e genuína incluirá uma ampla gama de condições com certeza, e como William Arthur Ward disse, a felicidade é um trabalho interno, de cada indivíduo. Isso nos faz voltar à perspetiva budista, que reforça a ideia do monge Mattieu Ricard que afinal a felicidade reside em cada um de nos. Portanto, para cultiva-la isso exige o tal exercício que Aristóteles sugeria e para isso será importante que cada um encontrasse a própria prática para a cultiva-la.

São vários os aspetos da vida que podem nos ajudar a alcançar uma vida longa e feliz. A filosofia japonesa nos oferece o termo “Ikigai”, que significa “a razão de viver” ou o significado que nos faz acordar todos os dias. O conceito vem da sul de Japão desvendar o segredo Japonês para viver uma vida longa e feliz. A filosofia Ikigai destaca o propósito que temos na vida e é antes de tudo é um conceito de autoconhecimento. Ikigai se distingue como uma verdadeira filosofia da vida e propõe uma jornada de auto descoberta com promessa de alcançar pequenas e grandes fontes de realização. A prática que nos é proposta nessa alínea é refletir acerca de 4 perguntas apresentadas a seguir:

1.            O que eu mais amo?
2.            O que eu sei fazer bem?
3.            Onde é que o mundo precisa de mim?
4.            Para que posso ser bem remunerado?

Encontrar o equilíbrio nas respostas, esse exercício nos traz uma forma, muito prática de nos conhecer e refletir acerca do nosso propósito, encontrar as respostas que eventualmente nos poderão guiar na nossa jornada de longevidade e felicidade. É importante saber que os princípios dessa prática nos ajuda a descobrir aquelas virtudes que falamos no início, nos conhecermos melhor, valorizar as nossas habilidades, permitirmo-nos vive-las num estado fluido e harmonioso mas também de uma forma sustentável. Por fim, o princípio de viver alegria de cada momento, das pequenas coisas é um convite que mais valia o relembrar, de apreciar tudo sem discriminação e dar valor a todas experiências que a vida nos proporciona enquanto escolhemos viver a nossa vida com um propósito de alcançar a felicidade em cada momento, cada respiração, cada passo nessa jornada.
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DIANA DINU
TERAPEUTA CORPORAL COM UMA VISÃO HOLÍSTICA, AO SERVIÇO DA VERDADE E DA AUTENTICIDADE HUMANA
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​in REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2021
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Escutar a Vida para Empreender

1/7/2021

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Quantas vezes fazemos coisas que acabam por não correr bem e depois que tudo passa, reparamos que havia uma voz no nosso interior que dizia para não o fazer? Uma sensação inexplicável que nos comunica algo imperceptível? Por Jeanelie Urbina

in REVISTA PROGREDIR | JULHO 2021

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O nosso dia-a-dia está cheio de pequenas, e por vezes, muito importantes decisões. São estas decisões que no seu cúmulo constroem o que somos como seres sociais, coletivos e humanos.

Na sociedade moderna, tem-se perdido a consciência do importante: recompensa-se o conhecimento, mais não a sabedoria, recompensa-se o esforço, mais não a moderação, recompensa-se os resultados a curto prazo, mais não os sacrifícios em pró da harmonia e um futuro melhor. Isto não significa que o conhecimento, o trabalho e os resultados imediatos não sejam importantes, só que não estão de acordo com os valores que fazem que a vida seja satisfatória e sustentável.

Estas tendências, com base no superficial, fazem que o ser humano não seja consciente daquilo que acontece no seu interior, nem dos sinais que a vida dá e como consequência sofre, devido à falta de conexão com a existência na sua totalidade.

Já lá vão 20 anos desde que decidi empreender, no início guiava-me pelo que achava que daria certo no mercado de acordo com as tendências, depois passei a observar as necessidades que existiam, de forma a criar um serviço, até contratei a assessoria de uma empresa, para me ajudar a entender as obrigações legais, as regras do mercado, a análise de custos, o estudo de mercado, com a possibilidade de ver entre linhas, um nicho ainda não explorado, todo isto e mais é o que faz de nós empreendedores, no entanto, não tive sucesso, criamos uma empresa e depois de um ano tivemos que fechar, não era garantido todo o esforço e dedicação como únicos elementos, porque não escutava a vida. Foi a vida e o meu Prof. Isaac Portilla, os que me ensinaram a considerar o fator humano e espiritual nas decisões para empreender.

A mente do ser humano está composta do intelecto, memória e atenção. Geralmente, coloca a atenção, essencialmente no intelecto e na memória. Quer dizer, a pessoa está mergulhada nos próprios pensamentos, nas lembranças e nos seus projetos para o futuro.

Quando a atenção está ocupada com os pensamentos sem descanso, podem criar-se desequilíbrios, caso não se tenha consciência do espírito, que é a realidade harmonizadora da vida. É dizer, quando se é consciente do espírito os pensamentos não são um problema, no entanto, quando isto não acontece (a situação da maioria das pessoas no mundo atual) há uma grande quantidade de pensamentos nocivos que provocam o deterioro prematuro do próprio corpo-mente e distorce o meio onde vive.

Para viver, e não só sobreviver, é preciso tomar consciência da importância da atenção, onde colocá-la determina o que uno experimenta e aquilo que somos.
 
Por a atenção na escuta é conectar com o nosso ser, com o nosso corpo-mente, ser observadores e através da meditação, dialogar com esse espaço infinito (o espírito), que está fora de nós e se tivermos humildade, a vida vai-se revelando, começamos a compreender como funciona, que base ou mecanismos fundamentam-na, mostra-nos o nosso talento, em que somos diferentes do resto das pessoas, o que é necessário para mim e para a sociedade, qual o melhor caminho a seguir.

A soma de todas as questões e respostas que encontramos na vida e a escuta, dia a dia aperfeiçoam o caminho que temos de continuar a explorar para evoluir.

Escutar representa um movimento de dentro para fora, é um movimento onde o nosso ser passa a viver em comunhão, fazendo parte de um todo que abraça a vida, desta forma deixa de viver a partir da lei do karma (causa e efeito) e passa a viver desde a lei da graça o princípio do amor, entre outros, que estão presentes na vida/existência, este princípio do amor nos oferece oportunidades infinitas para Ser e servir, assim como, grande parte do sucesso tem a sua base no facto de estar conectados com a vida.

O que é a escuta?

A atitude inicial deve ser de “escuta”. Isto significa que a totalidade da pessoa, em corpo e mente, devem estar no presente e com uma atitude de escuta e recetividade.

Por que escutar? E que escutar?

Não se trata de escutar os sons, é escutar a presença do espírito. Assim, o princípio fundamental é: “Escutar com todo o corpo-mente, para sentir a presença espiritual que está sempre presente”.

A palavra ‘escuta’ é utilizada porque o sentido do ouvido é o que melhor reflete a atitude adequada. Quando se escuta, assumimos uma atitude de recetividade. Não é possível escutar sem se entregar à própria escuta.

Quando se escuta com todo o corpo, se é consciente do silêncio e da paz interior que surge pelo simples facto de existir, ao mesmo tempo que se reconhece a presença do espírito universal.

O Imaterial e subtil (o não visível) sempre tem um poder maior que o material (o visível), como não estamos habituados a este tipo de abordagens, decidimos sempre optar por aquilo que conhecemos ou nos é familiar, desconsiderando uma abordagem existencial da vida.

Quando queremos empreender, temos a tendência para experimentar, assumindo as consequências dos resultados (ganhos ou percas), hoje em dia, é possível escutar e moldar o resultado esperado. Cada vez mais experimentar tem um custo elevado, o financiamento bancário, criar uma empresa, as obrigações legais, etc, por isso, eu prefiro primeiro escutar, para agir com a mente, corpo e espírito na mesma direção.
 
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JEANELIE URBINA
COACH, TERAPEUTA HOLÍSTICA, EXPLORADORA DA VIDA ESPIRITUAL E LICENCIADA EM CONTABILIDADE PELA UNIVERSIDADE CENTRAL DE VENEZUELA
www.instagram.com/jeanelieurbina
[email protected]

in REVISTA PROGREDIR | JULHO 2021
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