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A (a)ventura e a revolução de Ser Mãe

1/5/2014

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Ser mãe é uma revolução. Olhar a gravidez como um período de oportunidade de Desenvolvimento Pessoal e de preparação para uma mudança tranquila, é um primeiro passo. 
Por Cristina Marreiros da Cunha


in REVISTA PROGREDIR | MAIO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Estou grávida, vou ser Mãe – Esta primeira tomada de consciência pode gerar um turbilhão de emoções dependendo das circunstâncias de quem as vive.

Dizem-nos as estatísticas sobre os casais que procuram terapia de casal, que muitos dos seus problemas começaram com o nascimento do primeiro filho. Seria pois de enterrar a cabeça na areia, como a avestruz, não olhar de frente para tudo o que se passa quando esperamos um filho.

Desejar a gravidez é o primeiro passo para que esta revolução chamada maternidade e paternidade se constitua como um processo tranquilo. Planeada ou não, recebida com maior ou menor surpresa, a partir do momento em que a mãe deseja ter o seu filho a alegria e a preocupação parecem querer dar as mãos.

Talvez a primeira aprendizagem a fazer, seja mesmo a de saber ouvir as preocupações para que nos possamos ocupar delas, perceber que receios escondem, tomar medidas sobre o que está ao nosso alcance fazer para que tudo corra o melhor possível, e saber conviver com essa “poeira” chamada ansiedade, pois o que não podemos controlar, não deve ensombrar a alegria da aventura.

A Gravidez, esses 9 meses que antecedem o grande dia, funcionam como o período de crise, que antecede a revolução. Um período fundamental, em que se visitam memórias, algumas vezes conflituosas, que podem vir acompanhadas de medo e angústia do que desconhecemos, mas também de dúvidas sobre as nossas capacidades, e sobre nós, quer enquanto pessoas complexas com partes menos claras e evidentes, quer enquanto mães e pais iminentes. Este é também um tempo de adaptação às transformações físicas e psicológicas, que possibilita a aprendizagem, a preparação, a antecipação de mudanças e que funciona como uma janela de oportunidade de integrar passado e futuro num presente saudável e luminoso.

A Gravidez pode ser um momento de grande desenvolvimento pessoal, que a natureza nos chama a fazer em acelerado. O Eu-filha/o vai agora passar a ser Eu-mãe ou Eu-pai. O Eu-cuidado - até há pouco tempo, melhor ou pior, cuidado por outros, muitas vezes não sabendo ainda cuidar de Si próprio do ponto de vista psicológico - vê-se agora com a nobre e grandiosa missão de passar a ser um Eu-cuidador. Esta mudança terá que estar, ela própria, grávida de aceitação dessa responsabilidade e do seu significado. Aproveitemos pois a gravidez, como mais um momento de desenvolvimento pessoal consciente, com vista a que a revolução seja recebida com tranquilidade.

Tal como irá agendar as suas idas ao médico, análises, ecografias, cuidar da alimentação, preparar-se para o par to e para receber o seu filho, também não hesite em pedir ajuda profissional, se a sua ansiedade for muito grande, ou se recear não estar à altura das transformações que se adivinham. Cuidar de si, e da sua família atual, é preparar o melhor ambiente para o seu filho que vai nascer.

É da relação entre mãe e pai que nasce um filho. Esta, por vezes “não verdade,” do ponto de vista sexual e reprodutivo, deveria sê-lo sempre do ponto de vista afetivo, pois são os pilares afetivos, as bases mais sólidas que os futuros pais podem construir para, e com, os seus filhos. Também nós somos frutos dos laços que os nossos pais estabeleceram connosco, estes laços afetam a forma como nos relacionamos com o nosso parceiro e como nos relacionamos com os nossos filhos. Esta descoberta nem sempre é pacífica e pode trazer alguma per turbação e até conflitos, aproveite este momento para resolvê-los e para comunicar mais com o seu par. A par tilha entre os futuros pais é fundamental para que ambos se descubram, naquilo que se deseja como sendo simultaneamente o aumento do conhecimento de si e do outro e o aumento dos laços afetivos entre ambos

É a solidez dos laços entre os pais e entre pais e filhos que perdura. Mesmo quando o casal acaba enquanto tal, não pode acabar enquanto pai e mãe do(s) filho(s) de ambos. Porque é a maternidade e paternidade uma revolução? Porque é uma grande transformação com mudanças sensíveis que alteram estrutura, relações e prioridades.

Estrutura - porque a família a 2, passará a ser uma família a 3, alterando assim a dinâmica vivida até ao momento e o ponto de equilíbrio.

Relações - porque as relações que eram em primeiro lugar com o próprio e com o par, passam, a ser relações que implicam um novo papel individual de Eu, enquanto mãe, e do Tu, também enquanto pai. Finalmente surge uma nova relação com o filho que até aqui fazia par te integrante da mãe e que, ao nascer, espelha-se como um ser individual que já não nos pertence, nem faz par te do nosso imaginário, é um ser concreto, real e de Direito Próprio.

Prioridades - precisamente porque o novo ser, mostra agora, não só a sua individualidade, como a sua dependência total, exigindo atenção e cuidados plenos, tornando-se o centro a partir do qual tudo se move e organiza.

Tudo isto, embora com 9 meses de preparação, se dá, de um momento para outro, ao primeiro choro do bebé. É de facto uma revolução. O nascimento dum filho marca o início duma nova fase para o casal, com novas organizações, novos pontos de equilíbrio e novos desafios. É o início da Maternidade e da Paternidade (Parentalidade), para o resto da nossa vida. Como dizia o poeta António Machado, o caminho faz-se caminhando… e quanto mais tranquilos nos sentirmos a percorrê-lo, mais as mudanças e transformações que escolhermos fazer e os desafios que se nos deparem, serão encaradas, protagonizadas e aceites com tranquilidade.

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CRISTINA MARREIROS DA CUNHA
PSICÓLOGA, PSICOTERAPEUTA
PREPARADORA PARA O PARTO

www.espsial.com
cristmcunha@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | MAIO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


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A Energia a nosso Favor

1/4/2014

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A sabedoria diz nos que para sermos mais temos que nos tornar mais, nada como utilizarmos a energia disponível para chegarmos mais perto de onde queremos chegar. 
Por Duarte Gorrão Fernandes

in REVISTA PROGREDIR | ABRIL 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Não, não lhe vamos falar de uma empresa denominada Ying/Yang, se bem que até dava um nome catita. O objetivo é clarificar de uma forma sucinta e clara a influência energética nos negócios. Como o leitor provavelmente saberá, todos nós possuímos energia masculina e feminina e, tal como em todas as dimensões da nossa vida, também nos negócios e vida profissional em geral precisamos de saber gerir esta dualidade energética.

É curioso observar que nos últimos anos temos assistido, com grande sucesso, à escalada da mulher no mundo profissional. Esta realidade poderá acontecer porque apesar das diferenças de oportunidades profissionais, para homens e mulheres, que o atual status quo promove, elas têm nos dias que correm a hipótese de “mostrar trabalho”, algo que não acontecia há 50 anos atrás. Por outro lado, essa própria adversidade advinda do status quo é para elas o motor que dá força à busca contínua do sucesso, numa área liderada por homens.

Esta força pode ser traduzida sob a forma de energia Yang, ou energia masculina, e se é óbvio que os homens a têm, esta também se manifesta nas mulheres e elas precisam de a saber gerir no momento e quantidade certos, no sentido de vingarem no mundo dos negócios, realidade na qual o Yang assume uma importância peculiar.

Tarefas relacionadas com liderança e responsabilidades de topo no negócio são aquelas que mais carecem de uma maior quantidade energia masculina disponível. Trata-se da forma energética que vai permitir-lhe gerir o negócio de forma mais eficaz, uma vez que o seu vetor energético é de dentro para fora, possibilitando um maior foco na tarefa, resiliência e sentido prático na ação. É também o tipo de energia que nos permite assumir riscos e suportar os maus resultados quando estes aparecem. Garante assertividade e permite que nos protejamos a nós próprios. É ainda o Yang que promove o atingir de resultados, dominar os mercados, vencer a concorrência, etc… Sem a quantidade certa de energia masculina, tornar-nos-íamos demasiado passivos.

É importante que haja equilíbrio energético nos negócios e é fundamental garantir que o Ying está presente. Sem colaboração, confiança, preocupação pelo outro e sentido de comunidade - traços atribuídos ao feminino - um negócio rapidamente se transformaria num verdadeiro inferno ao qual os colaboradores não resistiriam.

Também no que concerne à manutenção e gestão de clientes atuais, o Ying acaba por se assumir como um elemento fundamental, ao passo que o Yang está mais relacionado com a aquisição de novos clientes.

Podemos assim dizer que o que faz um negócio avançar é predominantemente o Yang, mas o Ying é o que o mantém vivo e que lhe vai garantir que no dia de amanhã os seus colaboradores não o deixam sozinho.

Bons negócios e boas energias!

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DUARTE GORRÃO FERNANDES
BUSINESS UNIT DIRECTOR

www.rupeal.com
duarte.fernandes@rupeal.com

in REVISTA PROGREDIR | ABRIL 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


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Os 90% que definem o que Somos

1/3/2014

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10% da vida corresponde às coisas que nos acontecem. Os outros 90% são determinados por nós. Não é o que nos acontece que determina o que somos mas sim, a forma que reagimos ao que nos acontece.
Por Raquel Baptista Leite

in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

10% da vida corresponde a todas as coisas que nos acontecem, são os 10% incontroláveis: o sinal encarnado no semáforo quando estamos cheios de pressa, o café que entornámos na camisa branca mesmo antes daquela reunião, o exame reprovado ou a resposta torta da pessoa que mais gostamos.

A boa notícia é que os outros 90% são determinados por nós e são esses 90% que realmente têm impacto no nosso estado de espírito. Não é o que nos acontece que determina o que somos mas sim, a forma como reagimos ao que nos acontece. Não é porque tenho uma nódoa na camisa que o meu dia será pior, é porque lhe dei importância! Os 90% determinados por nós têm, como em tudo na vida, duas opções de caminho:

1. Ou nos vitimizamos por tudo aquilo que somos e nos acontece e assentamos o nosso discurso nos Maseques e Maseus (Mas é que eu… Mas eu…);

2. Ou então temos a opção de medir a possibilidade de conquistar algo não pela dimensão do nosso obstáculo mas sim, pela dimensão do nosso sonho.

A primeira opção é mais fácil. Porém, a segunda é substancialmente mais divertida e desafiante! Implica a Paciência para resistir quando se enfrentam situações difíceis. Mas também, a Audácia para atacar quando se querem alterar essas mesmas situações.

Acredito que para escolher a segunda opção, em qualquer situação – do banal ao substancial, é fundamental estarmos assentes numa profunda espiritualidade e resolução interior.

Um dos maiores exemplos como matriz é a vida de Madre Teresa de Calcutá. Há uma frase extraordinária que diz que o exemplo não é a principal forma de influenciar os outros, é a única! Madre Teresa contagia pelo seu comportamento, pela sua humanidade… Uma mulher, com todas as características fantásticas que as mulheres têm: a determinação balizada pela sensibilidade e a capacidade de estar atenta simultaneamente a várias coisas não perdendo o foco de cada uma dessas coisas como se fosse a única. Mas sobretudo, Madre Teresa de Calcutá vivia alicerçada numa pedra basilar, o primeiro mandamento: o amor. O motor de toda a sua espiritualidade.

Indubitavelmente, nesta Mulher, a oração caminha de mãos dadas com o amor. Só assim conseguiu ter fundações para ser aquele forte, aquela muralha que protegeu tantos desprotegidos. Os frutos disso mesmo, daquele constante sorriso que acabava por carimbar também na cara dos outros, estão pelo mundo inteiro com as irmãs da Caridade, ordem que fundou. “A paz começa com um sorriso”, já Madre Teresa nos dizia.

Na vida, poderemos encontrar nos pilares da oração e do amor, a resposta para os 90%. Podemos não ambicionar o mudar o mundo. Podemos sim ambicionar, cumprir a missão que acreditamos ser transversal à existência humana: desfrutar o dom da vida que nos foi dado de graça com o sorriso e otimismo de quem acabou de receber um presente cada vez que o sol nasce! Porque a medida do amor é amar sem medida… Nem todos podem realizar grandes feitos. Mas todos podemos fazer pequenas coisas com muito amor.

E nunca nos esqueçamos: 

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. - Madre Teresa de Calcutá

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RAQUEL BAPTISTA LEITE
ESTUDANTE DE MEDICINA

in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


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A Essência e o Acessório: A comédia dos equívocos

1/2/2014

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A cada momento, progredir na definição e compreensão do essencial é tarefa da racionalidade, da inteligência.
Por Carlos Lourenço Fernandes


in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Quando se afirma que a razão é essencial ao homem quer dizer-se que a racionalidade (a capacidade de descrever, interpretar, refletir) é uma das características de natureza formadora, configuradora do ser humano, do Homem: embora, justamente se tipifiquem de irracionais muitas das atitudes e decisões do homem. A essência reflete o conjunto de características que definem um ser, aquilo que persiste, que é constante, que constrói uma realidade material, física, ou, conceptual. No essencial, uma porta é uma superfície aberta de transição entre espaços distintos (ou de funções distintas).

Uma porta pode ser um aeroporto, um porto, enquanto articulador de fluxos entre espaços, regiões ou cidades. Ou será um elemento de transição entre uma sala e uma cozinha. A porta, realidade física, a porta, realidade conceptual. E, sublinhe-se, o homem compreende o mundo através de códigos conceptuais e atua no mundo através da aplicação de conceitos. De natureza política, ou matemática, ou de astrofísica. A compreensão ajustada, correta e justa, dos conceitos permite maior e melhor perceção do mundo e atuação sobre o mundo. Distinguir a essência do problema, dos elementos de acompanhamento ou acessórios de um problema, reduz (elimina) equívocos.

Na configuração e compreensão de um problema é decisivo, no caminho de resolução, compreender o que é de importância capital, central, do que é verdadeiramente importante, distinguindo o essencial do acessório. Distinguir o principal, o fundamental, do acessório na descrição do problema conduz a melhor caminhada resolutiva. O essencial não é o secundário.

A dificuldade em distinguir o essencial do acessório traduz o quadro e amplitude da atitude inteligente na abordagem do problema (qualquer que ele seja). A determinação da natureza íntima da coisa, do problema, do quadro ou enquadramento da circunstância, do contexto, é condição relevante, essencial, na possibilidade emergente de boa atuação resolutiva, de proximidade da solução, da definição criteriosa do programa de atuações que provoque, conduza à solução ou a soluções. Diferenciar, no quadro de uma atuação sugerida por um acidente (pessoal ou coletivo) é a determinação criteriosa da atitude que garante a vitalidade, a vida. Atuar no essencial é manter mecanismos de vida. Entre a hemorragia interna e a fratura, essencial é estancar a hemorragia. A fratura é secundária face ao quadro garante de vitalidade. Essa distinção (decisiva) de matéria de racionalidade competente, de inteligência prática, da experiência vivia que permite a diferenciação acrescida entre a essencialidade do quadro e o conjunto de componentes acessórias. Elimina a tragédia da comédia dos equívocos.

Nas relações humanas, na amizade, no amor, no universo profissional, na relação entre Estados, garantir a constante da essência da relação é condição primeira de reforço e consolidação da relação. A obsessão por inverter importância, por sublinhar elementos acessórios ou secundários na relação, são fator de perigo, de ameaças e absurdos relacionais. Racionalizar, construir atitude fina de identificação da essencialidade numa relação (qualquer que seja o tipo) é condição de sucesso e satisfação relacional. Treinar a razão na perceção do que é verdadeiramente importante, central, capital, numa relação, é a condição necessária, estrutural e decisiva para o crescimento e desenvolvimento pessoal, coletivo, comunitário e no concerto complexo entre povos e Estados.

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CARLOS LOURENÇO FERNANDES
PROFESSOR, ESCRITOR,CONFERENCISTA

clfurban@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2014
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Crescimento e desenvolvimento, os equívocos

1/1/2014

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Crescer só, não, crescer e desenvolver, será o motivo útil e de virtude.
Por Carlos Lourenço Fernandes


in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2014
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


O conceito crescimento associa-se ao processo de desenvolvimento progressivo, ao amadurecimento, à consideração útil de aumento da extensão, de grandeza, da verificação de aproximação sucessiva a um estado adulto, de maturidade. 

Houve sempre quem procurasse diferenciar o ato ou efeito de crescer em contraponto ao processo de desenvolvimento.

Crescer não significaria Desenvolver. Diríamos que crescer significa ou convoca uma perceção de quantidade (cresceu de peso, por exemplo, ou cresceu o produto interno bruto de uma economia) ao invés de desenvolver que significa uma perceção qualitativa, de densificação ou reforço de qualidades, de atributos. Em boa verdade, a consideração do justo meio, do justo equilíbrio poderá corresponder à consideração ajustada do conceito crescimento. Ou dito de outra forma, crescer sem desenvolver é qualquer coisa de inútil ou cego. Impor ta a quantidade, mas impor tará crescer de peso em perda de atributos de qualidade (a flexibilidade, por exemplo)?

É verdade que o crescimento económico – o alargamento da produção de riqueza – é um bem assinalável se corresponde a processo associado de desenvolvimento. Impor tará de menos que uma economia cresça, que observe crescimento do produto (da riqueza) e, simultaneamente se verifique um processo continuado de desenvolvimento social e de confor to alargado. Crescer em produto e não desenvolver os mecanismos de distribuição equitativa da riqueza gerada não traduz o desejável crescimento harmonioso e isento de tensões sociais ou individuais. Desenvolver, isto é, o acesso a bens e a prestação de serviços (educação, saúde, segurança social, acesso às redes) por par te do maior número, reduzindo ou minorando desigualdades insustentáveis é consideração essencial a bons resultados (a boa resultante) do crescimento verificado. Ao contrário, crescer, sem desenvolver, é, em boa verdade, empobrecer a prazo e configurar uma insupor tável perceção de injustiça.

Em similitude, o crescimento individual – o sucesso individual na obtenção de resultados económicos – assegura condições de supor te ao desenvolvimento quando os resultados económicos individuais se refletirem no amadurecimento e reforço de qualidades e capacidades individuais. E, por tanto, se refletirem no reforço da qualidade de intervenção na sociedade por par te do individuo que verificou sucesso económico. Refletir em cultura, erudição, melhoria de aspetos relacionais, garantir progressão na consciência da responsabilidade social – e desde logo do núcleo familiar e envolvente – é prova de desenvolvimento, constituindo processo de vir tude que ganha folgo face ao supor te de crescimento verificado.

O sucesso individual – no domínio económico – reflete-se em desenvolvimento quando assegura a emergência e reforço das capacidades de bem-fazer e bem relacionai e garante um ciclo vir tuoso na intervenção social. Sucesso individual de natureza estritamente económica não assegura indivíduos cultos, eruditos, socialmente responsáveis e solidários. Pode, pelo contrário, sobre relevar o egoísmo e a desconsideração, afirmando-se a arrogância como vício de conformidade.

Crescer e Desenvolver relações associam-se ao aumento da capacidade e qualidades de exercer ampla compreensão sobre os outros, sobre o outro. A presença da maturidade culta pressupõe concordância entre o crescimento e o desenvolvimento pessoais e a continuada qualidade, em crescendo, de assegurar harmonia nos conflitos e utilidade resultante para melhor avanço na progressão individual e social.

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CARLOS LOURENÇO FERNANDES
PROFESSOR, ESCRITOR,CONFERENCISTA

clfurban@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2014
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Reciprocidade, valor e uma constante exigência

1/12/2013

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A reciprocidade é um valor, uma constante exigência de respeito e consideração mútua, face às incontornáveis leituras distintas sobre a vida.
Por Carlos Lourenço Fernandes


in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Há um exercício permanente de exigência de correspondência mútua (reciprocidade) na relação entre dois. Ou entre grupos. Ou o que seja. Ocorre porém que a igualdade de tratamento de parte a parte (reciprocidade), a sua verificação e demonstração, é sempre decorrente da perceção e avaliação de cada parte, de cada um. A tensão acerca da reciprocidade (será que esta troca, a dois, se está a fazer em condições de igualdade?) é uma permanência decorrente da condição humana, da condição de grupo ou da condição de Estado, de Estados. A reciprocidade implica a correspondência mútua, a equidade relacional. Mas, a avaliação de que terá ocorrido reciprocidade é sempre de natureza unilateral, ou, no limite, corresponderá a exercício arbitral. Isto é, outros, em forma ou em informalidade, vão verificar se a troca ocorreu em quadro de reciprocidade.

A construção europeia (a União Europeia, hoje, consiste numa associação, sob regras aceites, de 27 Estados europeus), produto da vontade de paz duradoura e de progresso comum, estabelece-se e percorre, a cada momento, tensão de reciprocidade exigente. Não há, qualquer que seja a matéria em apreço, em avaliação ou em conflito, senão exigência de equidade no tratamento entre Estados. Mas, a vida, a realidade da vida, obriga à consideração de procura do maior denominador comum no relacionamento entre Estados, sendo certo que a negociação, a troca, em condições de igualdade estrita não é materialmente possível na medida em que não há parceiros iguais, não há parceiros em igual condição de partida. A reciprocidade obriga à diminuição, à minoração, de desigualdade na troca, na relação. Mas não é atingível – a igualdade – em termos absolutos, puros, em ambientes de vácuo, esterilizados, ignorando a desigualdade imposta pela vida. A equidade é um paradigma (resultado em procura, meta), não é um resultado adquirido e mesurável.

Não é fácil construir (e manter) uma relação recíproca. A reciprocidade ocorre entre corpos equivalentes. A condição e perceção masculina sobre um acontecimento (qualquer que seja) não é correspondente à condição e perceção feminina sobre o mesmo acontecimento. A diferenciação do género diferencia a avaliação e a perspetiva de reconhecimento, dos fundamentos e efeitos do acontecimento. Somos distintos e complexos. Sobre qualquer acontecimento, ou processo, o que corresponde a uma relação recíproca é a busca de compreensão mútua sobre o que fazer e deve ser feito. Isto é, o encontro do desenho comum, dos mínimos comuns que permitam aceitação de “troca em condições de igualdade”, ou o reconhecimento de equidade na relação, nas coisas da relação. É nesse exercício complexo de reconhecimento da diferença – e do direito à exposição da diferença – que se determina a beleza de uma relação assente na reciprocidade.

A busca determinista de certezas – e de igualdade entre o que é desigual – não corresponde a exercício honesto de reciprocidade. A consideração e respeito mútuo, a permuta honesta, são fundamentos de comportamento recíproco. Reciprocidade não é igualdade. É, pelo contrário, a procura permanente de respeitabilidade proporcionada na relação e na consideração ajustada da diferenciação. Por isso se justifica a solidariedade – a disponibilidade de ajudar o mais carente – sem prestação de contrapartida.

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CARLOS LOURENÇO FERNANDES

PROFESSOR, ESCRITOR, CONFERENCISTA

clfurban@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


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Integridade, esforço de construção permanente

1/11/2013

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A integridade pressupõe a persistência do domínio dos princípios sobre a efemeridade do tempo curto.
Por Carlos Lourenço Fernandes

in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


Integridade, do latim integritas, significa qualidade do que se mantém intacto, inteiro, íntegro, com todas as suas par tes. A integridade ou é ou não é. Ou existe ou não existe. Não é corrompida pelo compromisso. A integridade territorial significa a completude do território. Não pode ser afetado no seu todo. A totalidade não pode sofrer dano ou modificação. A integridade é, na ética, na vida, no reconhecimento de cada um, a qualidade que revela retidão, inteireza moral, imparcialidade, honestidade. A assunção de responsabilidades ocorridas. O cumprimento inteiro de contratos relacionais (na profissão ou fora dela) assumidos. O ser íntegro é o ser honesto, exato e justo. E incorruptível.

Não é fácil construir (e manter) uma personalidade íntegra. A multiplicidade dos apelos à ligeireza, ao incumprimento, a apreciação e avaliação justa perante os fatos, a tentativa permanente de lateralizar princípios éticos suportados no respeito e nos valores, é, na sociedade contemporânea, temperada pelo efêmero e pela irrelevância, um apelo persistente. Difícil é permanecer correto, inteiro e honesto. A matriz de suficiência foi solicitada pela matriz da abundância inútil. Ser abundante obriga ao exercício continuado da corrupção de valores e princípios. A integridade supõe a avaliação aberta e justa do respeito pelos princípios, sob quaisquer circunstâncias ou contextos. A integridade não é compatível com a obsessão egoísta sobre acontecimentos e consequentes de relações. Obriga-se, o íntegro, sempre, à compreensão do outro e permanece, o íntegro, aberto à solução tolerante que compreende os interesses ajustados de todos. Alargar e ampliar capacidades de leitura do prisma complexo da realidade, é trabalho permanente do que busca a integridade. Isto é, a qualidade de ser inteiro, a saber, atender de forma total ao interesse de cada parte. 

A integridade pressupõe a procura da verdade. Um compromisso sério com a verdade. Adequar o pensamento ou da sua expressão aos fatos ou aos conhecimentos que se pretendem exprimir. A exatidão na narrativa dos fatos, a paixão pela conformidade com o real, a aceitação da realidade – a procura da verdade – é qualidade do ser íntegro. A persistência no erro, a tendência à ilusão, a preferência pela mentira, não são matérias do ser íntegro, da integridade. A autenticidade é uma característica daquele que procura ser íntegro; a procura de diversas fontes na busca inacabada pela verdade sobre os fatos (e renunciar à versão conveniente) é uma característica da integridade. Do ser íntegro.

Os princípios que a vida comprovou como certos e duradouros são os mesmos que configuram a integridade. O relativismo (tudo vale em qualquer circunstância) não é matéria que impor te à integridade de ser. A fidelidade aos valores que o tempo consolidou como justos é matéria que impor ta ao ser íntegro. A variabilidade de comportamento, em prejuízo de princípios, é matéria que impor ta aos fazedores de ilusões.

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CARLOS LOURENÇO FERNANDES

PROFESSOR, ESCRITOR, CONFERENCISTA

clfurban@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2013
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A crise planetária e as comunidades intencionais

1/10/2013

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Para uma nova forma de estar na vida há também um certo tipo de atitude que ajuda, saber que somos criadores, responsáveis pelo que ocorre na nossa vida. Acreditar, constatar e praticar que tudo é possível, tudo é permutável entre si e tudo é perfeito.
Por João Motta


in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

A primeira coisa que há que ter em conta é que o mundo material é um reflexo ou prolongamento do espiritual. Assim, uma eventual guerra mundial seria sempre consequência do conflito invisível de forças espirituais, que encontrem ou suscitem um canal para se precipitar neste plano.

Há visões do mundo incompatíveis que consciente ou inconscientemente lutam pela supremacia. Uma delas é a visão anglo-saxónica do mundo que, a meu ver, levou em linha directa ao neoliberalismo e á crise actual. Ela é baseada nos dois pilares do economismo, o acreditar que a sociedade se deve reger pela economia e não pela religião, pela justiça ou pela felicidade e do cientismo, o acreditar que é só a ciência que tem resposta para tudo e que ela é a única interpretação da realidade.

É a fase final de um jogo, em que a língua inglesa e a cultura e a visão do mundo anglo-saxónicas imperam sobre o resto da humanidade, que não lhes tem conseguido resistir. O que é natural, pois ela é mais dinâmica, mais simples, mais terra a terra, imbuída de empirismo, mecanicismo, utilitarismo, comportamentalismo e produtivismo e está mais baseada na matéria e até na força física dos corpos maiores.

Mas há basicamente dois tipos opostos de visão sobre a vida neste planeta.

Sendo o planeta um jogo, teríamos a Terra 1 à versão do jogo que está a ser retirada e Terra 2 à versão de uma Terra paralela que já existe e está a ser oferecida em certos meios para download interior imediato.

Terra 1 é um planeta onde a guerra continua e a opressão, a repressão e a supressão serão cada vez mais a norma. Onde o medo vai crescendo e a democracia vai definhando. Onde as religiões organizadas continuarão a ser um obstáculo entre o Deus exterior e o Deus interior. Onde as desigualdades sociais aumentarão exponencialmente e onde a catástrofe ecológica espreitará por todo o lado: desde o céu coberto por Chemtrails à água que hesitará entre ser privatizada ou estar poluída e onde os animais se suicidam.

Terra 2 é um planeta onde as pessoas poderão ser elas próprias. Um planeta de paz, de alegria, de solidariedade, de amor e de abundância. Onde o dinheiro, se existir, será só um instrumento contabilístico, para facilitar o intercâmbio e a comunicação. Na frase sintética de Agostinho da Silva, não seremos donos de nada porque tudo possuiremos.

Nesse Terra 2, a nível prático, a solução terá que ser algo como o chamado Decrescimento, uma economia realista e justa que acaba com a exaustão dos recursos e depredação da Natureza e que promove a riqueza social e a coesão entre todos os segmentos da sociedade, levando a uma vida mais simples, menos consumista e mais auto sustentável e autorenovavel. Só isso permitirá uma vida aprazível e criativa para todos.

Existe também uma versão 2.2 do Jogo.

Em termos sintéticos, as duas visões são pois ou o controlo, a injustiça e a depredação ou a expressão da consciência imparável da humanidade que, por todo o lado, nos vários continentes, como temos visto nos últimos anos, aspira a uma maior libertação.

A meu ver, são estes os elementos principais da crise, cuja procissão ainda vai no adro:

A época do emprego acabou. Deixou de haver estabilidade, garantias e expectativas. O que talvez seja bom para as pessoas começarem a viver mais no agora. Os empregos que haverá ou serão de baixo nível no Terceiro Mundo ou muito especializados em grandes empresas internacionais, financeiras sobretudo. Em ambas é trabalho escravo, tendo em conta a relação entre o salário e os lucros obtidos. Esta nova escravatura moderna foi evidenciada pela morte em 18 de Agosto passado de um estagiário de 21 anos no Bank of America que trabalhou durante 72 horas seguidas.

Mas o que se está a passar de forma mais invisível e subterrânea é uma desvalorização da matéria e um enaltecer da consciência, da qualidade de vida, da realização pessoal, da busca do conhecimento e do encontro consigo próprio e com os outros.

Naquele contexto, a vida nas cidades vai-se degradando e limitando a uns shots em bares de rua ao fim de semana. As cidades vão ficando entregues aos velhos enquanto a juventude emigra. Vivemos o reino da quantidade e da aparência…

Outro elemento visível do esboroar do sistema actual – o qual, apesar de estar desde 2007 em cuidados intensivos, continua a espernear - é o fim das estruturas tradicionais, em quem já se acredita muito menos: os velhos arquétipos da educação e coabitação familiar, a medicina oficial, com os seus remédios para os sintomas físicos, o Estado, cada vez mais omnipotente a nível interno e mais contestado a nível externo, os partidos, meras máquinas de conquistar o poder e distribuir entre si os benesses e o dinheiro, os políticos, que já não conseguem sentir a realidade social, os media, cada vez mais enfeudados ao status quo e as grandes companhias, empresas e bancos, movidos quase que exclusivamente pela ganância e pelo desprezo, tanto pelos humanos, como pelos animais e pela natureza.

Mas a verdade é que o planeta atravessa uma crise que é acima de tudo uma crise espiritual, de valores, de civilização, de paradigma cultural. O sistema por si não tem nenhuma solução criativa. Para ele a saída ou é por uma nova guerra ou pela via totalitária.

Várias vezes ao longo da história da humanidade o curso da civilização bifurcou e escolheu-se uma via. Tal como na vida do indivíduo, a cada momento se cria uma nova linha de tempo. Na Grécia, há mais de dois mil anos, podia-se ter escolhido a via da arte, da poesia, da filosofia, do autoconhecimento, das humanidades, mas os gregos acabaram por escolher a via da ciência. Essa escolha foi a causa remota da crise actual.

Neste momento estamos claramente a caminhar para uma mudança qualitativa na realidade humana. A crise veio só agudizar as contradições do sistema actual e revelar a nossa ambivalência em relação a ele. O paradigma actual, baseado na separação, na pretensa objetividade, no racionalismo e no materialismo está a ceder perante a visão holística e integral da realidade. Por outro lado, a evolução da consciência e a evolução tecnológica estão a dissolver a fronteira entre o mundo visível e o invisível e entre o possível e o impossível.

Estamos assim a chegar a um ponto onde tudo converge, a uma grande conjunção universal. Estamos a chegar à singularidade, onde uma nova realidade vai surgir.

Nesse contexto, não podemos continuar a deixar de ver a relação entre as nossas emoções - como a competição, o desejo do lucro, a agressividade e o medo - com a realidade planetária onde a guerra e a destruição ecológica nos fazem espelho e a corrupção dos políticos e empresários corresponde à nossa carência. Isto apesar de, pelo lado positivo, vermos agora um maior equilíbrio entre o ser e o ter e um regresso ao campo e ao partilhar das comunidades tanto ao nível local como a nível global.

Sabendo nós da relação entre o pessoal, o intermédio e o global, cabe a cada um de nós tomar responsabilidade direta na criação do mundo em que quer viver. Passar da depressão á abundância. O limite - é a nossa imaginação.
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JOÃO MOTTA
SINTETIZADOR CULTURAL

joaomotta.culturalsynthesis.com
joaotmotta@yahoo.com

in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2013

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A Nobreza, a fonte,a Educação e progresso

1/9/2013

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A importância da aprendizagem como forma de evolução da consciência do homem, como tradição que muda a história e a evolução de um povo.
Por Carlos Lourenço Fernandes


in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)


A educação é uma função decorrente de modo natural e expressa-se em universalidade. É universal. Todas as comunidades humanas manifestam processos e atos educacionais e, por razão de ser, pela sua própria evidência, leva muito tempo a atingir a plena consciência daqueles que a recebem e praticam e, justamente, é relativamente tardio o seu primeiro vestígio na tradição literária.

Desde quando se reflete e escreve sobre educação? O seu conteúdo é, no entanto, moral e prático em todos os povos. Entre os Gregos, uma das nossas proximidades culturais e fundacionais, traduzia-se em honrar os deuses, honrar pai e mãe, respeitar os estrangeiros, afirma-se em conjunto de preceitos sobre a moralidade externa e em regras  e prudência para a vida, transmitidas oralmente pelos séculos afora: entre nós também é assim. Transmissão oral e construção escrita, complexidade crescente e duradoura.

À comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais, na medida em que são transmissíveis, os Gregos chamaram techne. Estes preceitos elementares do procedimento correto para com deuses, pais e estranhos foram mais tarde incorporados à lei escrita dos Estados gregos, não se distinguindo entre moral e o direito. E, através da poesia, o tesouro extenso da sabedoria popular, e, ainda, as regras de conduta e preceitos de prudência inseridos em superstições populares, é traduzido e dado a conhecer. A oralidade e os poetas. A Nobreza, a Sensibilidade, a Educação. As regras das ar tese ofícios resistiam à divulgação, à exposição escrita dos seus segredos, como é esclarecido, no que se refere, por exemplo, à profissão médica, nos escritos hipocráticos.

Da Educação, neste preciso sentido, distingue-se da formação do Homem dirigida à criação de um tipo ideal intimamente coerente e claramente definido. A formação obriga à oferta ao espírito do homem de uma imagem de como ele deve ser. Ou tal como deve ser. A utilidade é indiferente ou, no mínimo, não é essencial. Fundamental é a beleza, no sentido normativo da imagem desejada, do ideal. Educação e formação têm sentidos historicamente distintos. A formação manifesta-se na forma integral do Homem, na sua conduta e comportamento exterior, e, na sua atitude interior. Conduta e atitude interior são produtos de uma disciplina consciente. Não nascem do acaso. Corresponde a quadro de valores assentes na consciência e identidade de ser correto, adequado ao respeito por si próprio e pelos outros. Ao princípio dirigia-se à Nobreza. 

Esforços múltiplos e seculares, sofrimento e dor, tornaram extensivos ao maior número o acesso á formação. E, compaginável, à Educação. Adquire sentido de bem universal e em norma para toda a gente. 

As bruscas mudanças que, ao longo dos tempos, reconfiguraram sociedades dão lugar, pela natureza das coisas, da vida, da realidade dinâmica, a nova dirigência que, constituindose em “nova aristocracia” promove formação e educação (adaptada às exigências da nova série de ‘longo’ tempo) e, sempre, em amplo movimento de universalidade. A nobreza (leia-se, as elites, a elite) é a fonte do processo espiritual pelo qual nasce e se desenvolve uma nação. A antiga tradição escrita releva uma cultura aristocrática que se eleva acima do povo (da ampla maioria) e, qualquer que seja a investigação histórica não pode renunciar a este ponto de par tida. O conhecimento do passado, da história, é condição de sucesso da variabilidade da mudança que reconfigura o futuro. E, em qualquer caso, uma construção sólida não pode renunciar à tradição a conta da ‘novidade’. Um gesto, um comportamento, um sistema ou quadro de atitude, relevam sobre a tradição se demonstrar melhor adequação à formação e educação do Homem (e do modo social). Há quem, inteligentemente, ‘espera para ver ’, mas a inteligência revela-se quando ‘tendo visto’ , muda e progride.

A permanente abertura ao novo, ao impulso da mudança, é uma atitude útil, justa, dirigida a melhor humanidade, à aproximação integral do Homem.

A inteligência na observação, na sujeição a teste, à experiência sobre o novo, é o vértice do Homem aberto à Mudança mas respeitador da Tradição (cujos resultados são conhecidos e provados). A escolha entre mudar ou manter é um exercício permanente de inteligência convocada. 

Por isso, a atitude de nobreza (elite e exigência) é fonte de Formação, Educação e progresso.
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CARLOS LOURENÇO FERNANDES
PROFESSOR, ESCRITOR, CONFERENCISTA
clfurban@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2013

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A felicidade, desejo e realidade

1/8/2013

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A inútil tentativa de definir felicidade: estado de plena satisfação íntima, de bem-estar, no qual se encontram satisfeitas todas as aspirações do ser humano (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa, Verbo, 2001) 
Por Carlos Lourenço Fernandes

in REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2013
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.

É inútil a tua aflição;
nada podes sobre o teu destino.
Se és prudente, toma o que tens à mão.
Amanhã... que sabes do amanhã?

Além da Terra, pelo Infinito,
procurei, em vão, o Céu e o Inferno.
Depois uma voz me disse:
Céu e Inferno estão em ti.

Na sombra azulada do jardim
o ar da primavera renova as rosas
e ilumina os meigos olhos da minha amada.
Ontem, amanhã... é tão grande o prazer agora.

Como o rio, ou como o vento,
vão passando os dias.
Há dois dias que me são indiferentes:
O que foi ontem, o que virá amanhã.

Não me lembro do dia em que nasci;
não sei em que dia morrerei.
Vem, minha doce amiga, vamos beber deste copo
e esquecer a nossa incurável ignorância

Olha, um dia a alma deixará o teu corpo
e ficarás por trás do véu, entre o Universo
e o desconhecido. Enquanto não chega a hora,
procura ser feliz. Para onde irás depois?

Os meus cabelos estão brancos,
tenho setenta anos de idade.
Agarro agora a felicidade; amanhã,
talvez não me restem forças

Um dia pedi a um velho sábio
que me falasse sobre os que já se foram.
Ele disse:
Não voltarão. Eis o que sei.

No turbilhão da vida são felizes aqueles
que presumindo saber tudo não se instruem.
Fui buscar os segredos do Universo e voltei
invejando os cegos que encontrei pelo caminho

Extractos de poema: itálicos de Carlos Lourenço Fernandes, Julho 2013
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Carlos Lourenço Fernandes
Professor, Escritor, Conferencista 

clfurban@gmail.com

REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2013

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