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Cinco dicas contra a Procrastinação

1/11/2018

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Procrastinar poderá ser um hábito comum, mas também devemos saber se não será um problema. Contudo são cinco dicas que irão ajudar a combater a procrastinação.
Por Daniela Santos


in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Procrastinação deveria ser o nome do meio, principalmente naqueles dias de maior stress. Começamos por adiar tudo para a hora seguinte até que chegamos ao final do dia com tantas coisas por fazer. A palavra procrastinar provém procrastinatus: pro- (à frente) e crastinus (de amanhã). Parecendo que não, é das melhores coisas que sabemos fazer.
 
Procrastinar é o ato de adiar as tarefas, deixar de ser produtivo e pior que tudo é ter aquela sensação de culpa. Torna-se bastante difícil nos dias mais aborrecidos colocar o pavio a arder, principalmente agora com a chegada do frio sabe tão bem ficar a ver séries. Mas será apenas uma falha do comum mortal ou poderá ser mais do que isso? Por vezes poderá estar associado à saúde mental, como ao perfeccionismo, também pode estar relacionado com a baixa auto-estima e ansiedade, porque sejamos sinceros quando temos um dia completamente produtivo ficamos extasiados com nós mesmos.
 
A única coisa que devemos adiar é mesmo a procrastinação, não podemos deixar para amanhã aquilo que conseguimos fazer hoje sem problemas nenhuns. Se porventura for difícil é tentar até conseguir. Não há nada melhor do que aquela satisfação de realização, de que conseguimos completar algo antes do tempo e sem demoras.
 
Para o ajudar a ser mais produtivo no dia-a-dia:
 
Agendar o dia: Agendar o dia seguinte acaba por ser muito mais fácil e ficamos com uma ideia das coisas que são necessárias fazer. Colocar em primeiro lugar as mais importantes ou com urgência, de seguida aquelas que deixamos por alguma razão do dia anterior. Por fim aquelas mais básicas e simples.
Agendar o dia ao pormenor, como por exemplo fazer um horário para cada coisa acaba por ser também bastante benéfico e positivo. Um grande conselho é utilizar o Bullet Journal, um método de organização que ajudará.
 
Eliminar o ruído: Eliminar o ruído não se baseia estar tudo silencioso, mas sim tudo que nos façam perder o fio à meada. Por exemplo se o problema é o telemóvel o melhor é desligá-lo ou colocar num sítio onde não chegamos. A televisão acaba por ser o mesmo problema que o telemóvel, por isso nada melhor do que ter apagada ou simplesmente atrás de nós.
 
Escolher o local perfeito: O nosso lar também acabará por ser uma grande distração, por isso mudar de ares faz bem. Escolher um café sossegado, uma biblioteca ou simplesmente um jardim ajuda a relaxar por ser um ambiente diferente. Assim teremos mais interesse pelo que estamos a fazer no momento.
 
Evitar fazer vários trabalhos ao mesmo tempo: Concentrar apenas num projeto de cada vez acaba por ser mais produtivo do que vários ao mesmo tempo. É certo que existe um hábito enorme de fazer várias coisas ao mesmo tempo para sentir que somos produtivos, mas muito pelo contrário. Manter foco apenas num!
 
Ouvir música: Ouvir música ajuda a relaxar e a descomprimir, principalmente quando estamos no tom certo. Música mais calma ou apenas o instrumental é das melhores para essas alturas.
 
Além das pequenas listas ou objectivos, o mais importante é ter confiança no que se faz, porque sem confiança não vamos a lado nenhum. O importante é acreditar em nós e que somos capazes de focar e completar o que traçamos, que conseguimos e vamos concluir os nossos objectivos. Outra coisa para além da confiança é estar motivado e focado no assunto. Ambos são igualmente importantes no dia-a-dia e faz de nós pessoas melhores.
 
A procrastinação pode fazer parte da natureza humana ou igualmente considerada um problema e não se deve deixar de falar sobre o assunto. Acima de tudo acreditar no nosso potencial ajuda a reduzir esta amiga má (a procrastinação).

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DANIELA SANTOS
BLOGGER
www.bydezassete.pt
geral@bydezassete.pt

​in REVISTA PROGREDIR | NOVEMBRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Dissonância cognitiva, um conflito produtivo

1/10/2018

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Por certo, já sentiu que estava a ser incoerente, por exemplo, que estava a comer algo que o faz sentir mal, mas que ainda assim lhe sabe bem. Trata-se de dissonância cognitiva. Apesar de trazer desconforto, saiba que pode ser uma excelente aliada.
Por Raquel Ferreira Santos


in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Por certo, já houve uma ou outra vez, que sentiu que estava a ser incoerente. Por exemplo, que estava a comer algo que lhe faz mal, mas que ainda assim lhe sabe bem.

Quando nos apercebemos da incongruência entre as nossas cognições (crenças) e o nosso comportamento, ou quando temos duas ideias que entram em conflito, estamos em dissonância cognitiva. Este termo foi utilizado pela primeira vez, pelo psicólogo Festinger em 1956. De acordo com a teoria de Festinger, o ser humano, procura ao máximo viver em consonância, de forma a evitar o desconforto interno provocado pela dissonância. Ao ser confrontado com a dissonância cognitiva, as pessoas procuram elimina-la das várias formas. Através da relação dissonante: o indivíduo tenta substituir uma ou mais crenças, opiniões ou comportamentos que estejam envolvidos na dissonância. Fazendo recurso à relação consonante: o indivíduo tenta adquirir novas informações ou crenças de forma a aumentar a consonância. E por fim, usando a relação irrelevante: o indivíduo tenta esquecer ou reduzir a importância daquelas cognições que mantêm a situação de dissonância.

A maioria das pessoas opta por arranjar justificações para as suas ações, mesmo as que lhes são prejudiciais. No caso de comer algo que não lhe faz bem, a tendência será dizer: “isto não faz assim tão mal”, “é só hoje”, “amanhã não como nada”. As possibilidades de justificação são quase infinitas, porque o importante é fundamentar o comportamento.

A dissonância cognitiva tem um papel fundamental na resistência à frustração. Imaginando que vai a uma entrevista de emprego e não é selecionado, a mente vai arranjar justificações para o acontecimento de modo a diminuir a frustração que possa sentir: “a vaga não era assim tão boa”, “o entrevistador não se interessou pelo meu percurso”.

A dissonância cognitiva, também serve como mecanismo de defesa de proteção do Ego. Quando se tira algo às crianças, ou não se deixa fazer o que querem é comum ouvir: “oh também não queria nada disso”.

Conhece a fábula da raposa e das uvas de Esopo?

Uma raposa entrou faminta num terreno onde havia uma videira, cheia de uvas maduras, os cachos estavam muito altos. A raposa não podia resistir à tentação de as comer, mas, por mais que pulasse, não as conseguia alcançar. Cansada de pular, disse:
– Estão verdes... – e foi-se embora, fingindo estar desinteressada
Precisamos refletir se estamos a tentar lidar com a frustração, que é um processo natural da vida, ou se estamos simplesmente a tudo o custo rejeitar algo que até queremos, por medo de não ter o resultado que mais desejaríamos.  É nesse ponto que a dissonância cognitiva pode deixar de ser aliada. Não há nada mais paralisante do que o medo do que nem sequer existe. A frustração, o insucesso, as tentativas falhadas fazem parte do percurso e são eles que nos levam inevitavelmente a bom porto.

Importa perceber que a dissonância cognitiva impacta positivamente na tomada de decisões, uma vez que a mente vai procurar rapidamente forma de estar em consonância, diminuindo o desconforto que é viver a dualidade de pensamentos ou ações. Quando estamos em dissonância, entramos em conflito, gerando assim a necessidade de fazermos novas aprendizagens, de criar novas crenças. Parte do trabalho psicoterapêutico, incide nesta mudança de crenças cristalizadas que de alguma forma são disfuncionais ou prejudiciais.

Este processo de questionamento de crenças pode ser doloroso, mas é também um caminho de autoconhecimento que o impulsiona e direciona para o caminho mais correto para si. 
​
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RAQUEL FERREIRA SANTOS
PSICÓLOGA CLÍNICA E CONSULTORA EM DESENVOLVIMENTO PESSOAL
www.ohfoisemquerer.com
a.raquelfsantos@gmail.com

​in REVISTA PROGREDIR | OUTUBRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Ser e Parecer, a Ansiedade da Sociedade

1/9/2018

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É fundamental sentir-se confortável com a imagem que transmite, a todo o momento. Caso contrário, os outros irão perceber o desconforto e poderá vivenciar uma situação de grande ansiedade. Por Alexandra Lopes

in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Muito mais importante do que estar na moda ou seguir tendências, é sentir-se confortável na sua pele, com o seu verdadeiro eu! Gostar de si, sentir-se confiante e ter uma boa autoestima são fatores extremamente importantes para ter uma boa imagem. Se gostar de si, com toda a certeza que os outros também irão gostar e irá causar uma ótima primeira impressão (e também nas seguintes).

Ao sentir-se confiante com a imagem que projeta e ao demonstrar coerência entre quem é e quem mostra ser, adquire credibilidade junto dos intervenientes no ambiente social e profissional em que se insere.

A imagem pode variar consoante a situação ou contexto, mas o mais importante é sentir-se confortável em todos os momentos do seu dia a dia. Se não se sentir confortável com a roupa que veste, os outros irão perceber e poderá gerar-se uma situação de ansiedade que deve ser evitada a todo o custo. Essa situação de ansiedade poderá descredibilizá-lo e naturalmente que irá influenciá-lo em termos de confiança e autoestima, que serão consequentemente afetadas.

É importante preocupar-se com a imagem, mas há que manter um equilíbrio. Tudo o que é em demasia, pode ser prejudicial. Tenha sempre em atenção o contexto no qual se insere, mas não perca de vista a sua identidade.

Hoje em dia há uma tendência para uma excessiva – por vezes obsessiva - preocupação com a imagem: ter um corpo perfeito, vestir roupas caras ou de determinadas marcas que conferem status ou até mesmo manter-se eternamente jovem, com receio das rugas ou cabelos brancos. Há que ter em atenção que essa procura incessante da perfeição pode ter efeitos prejudiciais na saúde, que podem manifestar-se fisica e/ou psicologicamente sob a forma de ansiedade ou outras doenças.

Querer ser aceite pelos outros faz parte da natureza humana, principalmente durante a adolescência, integrando um ou mais grupos com os quais se identifica. No entanto, jamais deverá abdicar de quem realmente é ou anular a sua personalidade apenas para poder agradar os outros ou desfrutar de um sentimento de pertença a um grupo, contexto ou lugar.

O ideal será assumir uma imagem pessoal, única e em harmonia com a sua personalidade, crenças, ideais e objetivos. Para tal, o vestuário que escolher deve expressar a sua essência e assim a sua confiança e autoestima será mais visível aos olhos dos outros, o que lhe será bastante útil no caminho a percorrer para ser a pessoa que aspira ser.

Procure pessoas, lugares, empregos, cidades, etc, com as quais sinta afinidade e não force algo que não tem a ver consigo, com a sua natureza. Se escolher uma área de trabalho cujo dress code não tem nada a ver consigo, pondere analisar opções mais adequadas. Caso contrário, mais tarde ou mais cedo irá sentir-se ansioso e em conflito consigo próprio, pois não é nada bom passar o dia de trabalho a contar os minutos para poder mudar de roupa e vestir algo com que se sinta mais confortável.

Tente não copiar ninguém pois somos seres únicos e é essa unicidade que nos torna interessantes. As outras pessoas podem nos inspirar, mas nunca ao ponto de perdermos o nosso caminho e identidade, na ânsia de sermos e mostrarmos ser alguém diferente do que na realidade somos. Aceite as suas qualidades e os seus defeitos e seja você mesmo, sem cópias, imitações e outras complicações!

Ao alcançar esse patamar de aceitação e identidade, a imagem que transmitir terá um efeito positivo nas outras pessoas e – mais importante que tudo – em si próprio.
​
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ALEXANDRA LOPES
CONSULTORA DE IMAGEM
www.alexandralopes.com
imagem@alexandralopes.com

in REVISTA PROGREDIR | SETEMBRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Partilha(-te)

24/7/2018

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Nós só somos completos se pudermos partilhar tudo o que temos cá dentro. Se tens medo de partilhar convido-te a refletir com que tipo de pessoas é que te relacionas. Serás que te dás com as (tuas) pessoas certas? Por Sofia Pérez

in REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Nós só somos completos se pudermos partilhar tudo o que temos cá dentro. Se tens medo de partilhar convido-te a refletir com que tipo de pessoas é que te relacionas. Serás que te dás com as (tuas) pessoas certas?
  
A partilha está ligada à felicidade. Partilhar os nossos sentimentos, devaneios, sonhos e emoções traz felicidade.
 
Se não existe uma partilha genuína, estamos de certa forma a insensibilizarmo-nos e, inevitavelmente, ao insensibilizarmos sentimentos e emoções, condicionamos drasticamente a qualidade dos nossos relacionamentos, deixamos de ter a possibilidade de criar vínculo. Somos essencialmente seres de vinculação, porque nós, seres humanos, somos seres de afetos.
 
Não partilhar tudo o que nos habita está muitas vezes ligado ao julgamento e ao medo de não sermos aceites. Então, mas de que é que nos vale ter relacionamentos se tivermos de usar máscaras, se não pudermos ser genuínos, ou seja, se não pudermos mostrar quem realmente somos? Se sentes que não podes partilhar aquilo que realmente necessitas, por medo e/ou vergonha com as pessoas que fazem parte dos teus relacionamentos talvez seja a altura de te questionares com que tipo de pessoas é que te dás.
 
A verdade é que quanto mais contemos as nossas partilhas mais perdemos a capacidade para falarmos acerca delas e isso deixa-nos infelizes e…doentes. Esta iliteracia emocional provoca-nos um desequilíbrio tal que nos desconecta totalmente da nossa essência e traz com ela a solidão, um dos grandes males do nosso século. Não fomos educados para as partilhas genuínas. Seria bom que percebêssemos realmente que fomos educados para reprimir, para conter, para criticar e muitas vezes para vivermos de aparências. Tudo isto, em grande parte, consequência de uma educação maioritariamente católica.
 
Quantos de nós não nos relacionámos, ou relacionamos, com pessoas com as quais não temos quase nada em comum, ou por uma questão de “fica bem” dar-me com fulano ou sicrano, ou por uma questão de “educação” ou “interesse”, ou, pura e simplesmente, porque nem sequer nunca refletimos sobre o tipo de pessoas com que nos damos. Criamos a ilusão que assim não nos sentiremos sozinhos. Na verdade, vamos continuar a sentir-nos sozinhos enquanto não estivermos conscientes destes processos e pararmos de agir em piloto automático. Como afirma Zygmunt Bauman, sociólogo polonês: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” Bauman fala-nos precisamente da fragilidade das relações humanas.
 
É que, rodeados de pessoas em continuadas partilhas vãs e estéreis, sentiremos sempre uma solidão excruciante.
 
As partilhas defendem-nos, mas nós não partilhamos porque achamos que assim nos estamos a defender. Dá que pensar!
 
Quando eu acabo de escrever um texto, fico feliz. É um tipo de felicidade difícil de colocar em palavras, e não é por ir partilhar o texto com não sei quantas pessoas. O motivo é outro: eu partilho sempre nos meus textos um pouco de mim, partilho o que me vai na alma e muitas pessoas, ao lerem os meus textos, gostam e identificam-se com o que eu escrevo.
 
Às vezes deparo-me com este medo de partilhar com determinados públicos quiçá mais heterogéneos ou com pessoas muito parecidas ou muito diferentes de mim. São situações que me provocam um nervoso miudinho, verdadeiros desafios que, sempre que superados, tornam-me uma pessoa melhor. Invariavelmente chego sempre à mesma conclusão: se não posso partilhar(-me) genuinamente, acabo por retirar-me. Talvez seja da idade ou das vivências, mas, dar-me sem profundidade já não me faz qualquer sentido e traz-me uma incompletude insuportável, e ainda bem!
Partilhar sem estarmos condicionados torna-nos mais espontâneos, mais sábios, mais autênticos e mais humildes. E esta parte da nossa vida chama-se: Felicidade!
 
Partilhar é também mostrar a nossa vulnerabilidade, e ser vulnerável é um sinal de força.
 
Sempre que partilhamos produzem-se momentos mágicos a que chamamos de encantamento criando vínculos que perduram uma eternidade.
 
Partilhar é darmos voz à nossa criatividade, intuição, imaginação, sensibilidade, e é também um ato de amor.
 
Partilhar torna(-te/nos) incomparavelmente maiores e inteiros e é um sinal inequívoco de bravura.
 
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SOFIA PÉREZ
COACH HOLÍSTICO E HIPNOTERAPIA TRANSPESSOAL
www.coachsofiaperez.com
coachsofiaperez@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | AGOSTO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Uma vida com sentido

1/6/2018

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Uma vida com sentido tem na sua base a coerência. Um fruto maduro originário de uma colheita de auto conhecimento e que requer um processo longo de maturação. Por Maria Bartholomeu

in REVISTA PROGREDIR | JUNHO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Há momentos em que pode sentir que a vida perde e ganha sentido, uma espécie de onda que vai-e-vem ou uma oscilação que o pode levar de um extremo ao outro. Sabemos que quanto mais tentamos controlar as situações desagradáveis, mais elas nos empurram para um terreno pantanoso.
 
A chave para manter-se a boiar na força da onda está no seu sentido de coerência interna – sensação duradoura de confiança perante a vida.
 
O Sociólogo Aaron Antonovsky, pai do novo paradigma da saúde designado por Salutogénese, trabalhou as relações entre o stress, a saúde e o bem-estar, identificou e propôs um conjunto de capacidades que nos ajudam a lidar com os desafios (mantendo-nos saudáveis) e munindo-nos de “sentido de coerência”sobre a vida.
 
Para Antonovsky a sensação de confiança é manifestada através  da capacidade de compreensão, da capacidade de gestão dos recursos pessoais face a situações stressantes e da capacidade de investimento em superar essas mesmas situações, integrando os diversos acontecimentos como aprendizagens, resultando em experiência de vida.
 
Para desfrutar a vida a partir de um estado de coerência interna é sinal que “ o que penso, o que sinto e o que faço” são um só. A pessoa coerente é honesta, sente-se inteira, o seu crítico interno está mais adormecido, a sua sensibilidade ao julgamento alheio é fraca ou neutra. E quando alguém age de acordo com o que diz, transpira confiança. Sabemos que esta é a base para qualquer relacionamento saudável.
Assim, podemos afirmar que uma pessoa coerente tem maior probabilidade de criar e manter relacionamentos de qualidade, e este é um fator gerador de uma boa saúde física e emocional.
 
Nenhuma pessoa pode transmitir coerência aos demais se não tem coerência consigo mesma. Transmitir coerência é saber quem é, aceitar os seus aspetos sombrios, doar-lhes tempo e tratamento pela auto-compaixão, é mostrar-se como realmente é, com autenticidade.
 
E é claro que pode mudar de ideias e atitudes em determinado momento na vida, não precisa fixar-se em determinados pensamentos, pois uma vez que vai experimentando novas sensações, a mudança pode ocorrer como uma coerência adaptativa.

Agora, convido-o a refletir: a sua vida é experienciada com sentido de coerência? Ou seja, encontra-se num estado de harmonia e bem-estar com o meio social, familiar e consigo mesmo?
 
Proponho que faça uma lista das situações que o levam a sentir-se em desarmonia.
Por exemplo: Se tem uma postura positiva sobre o que vive e descura o diálogo saudável quando está zangado; Se o seu pensamento diz-lhe um “Não” e o seu sentimento um “Sim”; Se sente rejeição quando todos parecem estar em desacordo consigo, amigos e/ou família.
 
Essas situações são catalisadoras da sua evolução, permitem-lhe, ao seu ritmo, tomar consciênca do seu estado interior e promover mudanças rumo a um sentido de coerência interno.
 
Esquecer para não sentir, não vale.
Esquecer situações que lhe revelam a sua incoerência interna, não significa que está a conseguir manter em profundidade e em boa forma a sua saúde. O material é arquivado para não ser sentido mas será reativado mais tarde ou mais cedo.
Então, aconselho que procure investigar-se, adaptar-se sem resistência para viver da sua essência, do que pensa, do que acredita, do que sente e em harmonia consigo e com os demais. Desafio aceite? Desejo-lhe uma viagem rica em auto-conhecimento e recheada de sentido.
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MARIA BARTHOLOMEU
PSICOTERAPEUTA FACILITADORA DE GRUPOS DE METAMORFOSE EMOCIONAL FUNDADORA DAS AULAS CRIATIVAS JOYFULL PARA CRIANÇAS PROFESSORA UNIVERSITÁRIA
www.mariabartholomeu.com

in REVISTA PROGREDIR | JUNHO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Atenção Plena ao Autoconhecimento!

1/5/2018

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O autoconhecimento leva-nos sempre ao trabalho de desenvolvimento da atenção plena sobre nós próprios.
​Por Suzana Mendes


in REVISTA PROGREDIR | MAIO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

Desde tenra idade somos estimulados por factores externos, em bebés procuramos as formas e as cores, os sons e os cheiros. Em crianças exploramos o corpo, começam as primeiras partilhas sociais e as brincadeiras, e começamos a treinar o nosso pensamento para absorver informação sobre o mundo. Na adolescência a ânsia em ser qualquer coisa, ser notado, ser independente, quem sou eu? A ânsia em fazer, experimentar coisas. O que vou fazer, o que vou estudar? Entre o ser e o que fazer, vive-se numa busca para fora. Depois dos estudos, o trabalho, quanto mais produtivos mais valorosos, por isso estamos focamos em produzir, em subir na carreira, em ganhar dinheiro. Como seres de relações também na fase adulta procuram-se parceiros para partilhar um projecto de vida, que normalmente incluem filhos. O trabalho, as responsabilidades, o sucesso, os filhos, a gestão de tempo, agradar os outros para se sentir amado, não dormir, correr, fazer, ter, fazer... e entra-se numa rotina em que muitas vezes nos perdemos de nós próprios.

PÁRA! Quando foi a última vez que paraste para SER? O que costumas fazer diariamente para SER? Quem és? Não aquilo que fazes, ou as ideias formatadas pelo exterior ou aquilo que tens (status, canudos). Não o que acumulaste de fora, conhecimento, experiências e conquistas. Mas a tua essência. Quem és tu?

É frequente as pessoas não saberem muito bem quem são, acham que são a Maria, portuguesa, com uma licenciatura em gestão, mulher do João, mãe do Tomás e da Francisca, herdeira dos olivais do pai Andrade (nomes fictícios). Tu não és somente o que fazes e o que constróis, pois o que fazes e constróis é um resultado, uma expressão, um produto de ti, e mais uma vez, acção para fora.

Por outro lado, as pessoas tendem a procurar ajuda em tempos de crise, como se tivessem perdido o rastro de si mesmas.

A sociedade moderna exige que nos viremos para fora, treina-nos para produzir e consumir, não nos treina para trabalhar o nosso interior, a nossa casa interior, não nos ensinam a ouvir a voz interior, a termos um relacionamento amorosocom o nosso SER, fruir da nossa energia única e mágica.

Achamos que nos dar a atenção que merecemos é ir às compras, ou fazer uma viagem, ou ir a um spa, mas isso são tipos de fugas à rotina do fazer e ter, mas, mais uma vez, são atividades para fora. Também muitos acham que a fama, a bajulação, os elogios, o poder são formas de dar atenção a si próprios, mas essa atenção, mais uma vez vem de fora e somente agrada ao ego.

Quando foi que passaste um dia sem nada fazer, ou umas horas, ou uns minutos de plena atenção interior? De contemplação, de não julgamento, de reflexão, de enamoramento, de gratidão e aceitação por seres quem és? E sabes quem és? Tens tido curiosidade de saberes quem és? Tens saudades tuas, da tua própria companhia?

É difícil arranjar esse tempo, essa disponibilidade mental e emocional, estamos condicionados, constantemente solicitados para fora, que vamos sendo por instinto e por formatação do pensamento pelas regras e crenças da racionalidade coletiva.

É um tanto assustador perdermo-nos de nós e termos que nos agarrar a paixões, vícios, objetivos materialistas ou por outro lado viver doente, com depressão, ansiedade, doenças crónicas ou falta de energia. A doença é um sinal do nosso corpo a indicar um desequilíbrio energético, seja físico emocional e/ou psicológico. A doença acaba por ser uma aliada, uma oportunidade para parar e cuidar de nós próprios.

Ficamos doentes quando nos alimentamos mal, adoecemos quando não estamos felizes, quando estamos frustrados, revoltados, quando não nos sentimos valorizados, amados. Mas esquecemo-nos que o principal responsável por nós, somos nós. E essa plena atenção em nós é quase nula.

A Astrologia Chinesa baseia-se nas leis da natureza, que são justas e sempre em busca do equilíbrio. Compreender a nossa essência, a nossa natureza pessoal através desta ferramenta é um exercício muito interessante de praticar para SERMOS Plenos (e não andar a representar papéis que muitas vezes são imposições de fora).

“Da minha experiência uma melhor compreensão de nós leva-nos sempre ao trabalho de desenvolvimento da atenção plena em mim própria.
​
Tem sido um percurso, com dúvidas, avanços e retrocessos, um trabalho continuo, que exige disciplina e humildade, para criar novos hábitos psicológicos, emocionais e físicos, e ir construindo uma relação verdadeiramente amorosa comigo própria. A consciência da importância de estamos atentos, mais despertos, mais intuitivos, mais eficientes a usar a razão a favor do coração para uma vida mais preenchida, com maior realização e paz interior.”
​
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SUZANA MENDES
FENG SHUI, SAÚDE E BEM-ESTAR
www.suzanamendes.com

in REVISTA PROGREDIR | MAIO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Resistir à tempestade

1/4/2018

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Resistir à tempestade é não embarcar na loucura que são as exigências da vida moderna e criar espaços para parar, respirar e conectarmos com nós próprios no dia-a-dia agitado do século XXI. Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.
Por Ana Galhardo Simões


in REVISTA PROGREDIR | ABRIL 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Vivemos num mundo moderno, em pleno século XXI, onde as exigências são enormes.
 
As mulheres com todas as suas conquistas, passaram a trabalhar fora de casa, sim porque antes também trabalhavam muito, mas dentro de casa, onde infelizmente não eram vistas nem apreciadas. Passaram a ter voz ativa, uma palavra a dizer, mas não deixaram de estar um pouco sozinhas da gestão doméstica e educação dos filhos. Alguns homens, justiça seja feita, adaptaram-se e aprenderam não só a partilhar como a responsabilizarem-se pela dinâmica familiar, outros nem tanto.
 
As crianças estão mais sozinhas, com menos apoio familiar e em dinâmicas sociais vazias, num culto de imagem que torna as relações mais líquidas e quase sem vínculo.
 
Ensinamos desde pequenos que a vida é dificil e que a carreira se começa a desenvolver desde o nascimento, com um conjunto infindável de atividades extra-curriculares que pensamos serem úteis no seu desenvolvimento, mas que na verdade as impede de brincar e de serem simplesmente crianças.
 
A ansiedade e a depressão são as novas doenças do século, que avassalam todos sem dó nem piedade e cada vez mais as pessoas estão desesperadas, sem saber que caminho seguir. Na generalidade não compreendem a razão de estarem assim, mas sentem-se incapacitadas para prosseguir como antes. Não identificaram os sintomas que com certeza já iam aparecendo e quando finalmente não conseguem mais ignorar porque o mal-estar é permanente e parece comandar as suas vidas, já não podem passar sem medicação. Infelizmente isto é verdade também para crianças e jovens, que cada vez mais sofrem de distúrbios de ansiedade, que lhes retiram qualidade de vida.
 
Sofremos cada vez mais de hiperatividade mental! Sobrecarregamos o nosso pequeno computador, como se ele não se desgastasse e cansasse de tanto pensamento, tantos afazeres, tantas listas que inundam a nossa cabeça e não nos deixam dormir! Precisamos fazer tudo em tempo útil, estar em todo o lado, cumprir com as obrigações familiares e profissionais e ainda assim ter tempo para amar e ser feliz!
 
Parece que tem sido impossível completar essa tarefa que a vida moderna nos impõe e o custo tem sido a tristeza das nossas crianças, a nossa tristeza e todos os distúrbios e patologias que temos vindo a desenvolver.
 
O mar que em tempos beneficiava de períodos de tranquilidade, hoje está repleto de ondas ininterruptas, que batem com força na areia e por vezes fazem buracos complicados de tapar ou disfarçar. O mar está claramente bravo e difícil de navegar.
 
“A nossa mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!” David Fischman
 
O que é que cada um de nós pode então fazer para resitir a esta tempestade???
 
Diria que antes de mais precisamos todos de Respirar!
Precisamos de sair do alheamento que a hiperatividade nos confere para vivermos mais inteiros, mais conscientes, mais presentes em nós e nos outros. Precisamos criar tempo e espaço para simplesmente parar e Respirar!
 
Por parar não nos estamos a referir a meditações complexas logo pela manhã, quando sabemos que existe um conjunto infindável de tarefas para completar antes de podermos sair de casa. Não! Basta acordar 15 minutos antes da hora fulcral, em que tudo terá que ser feito à pressa, para poder executar todas as tarefas com calma e de forma consciente. Se for possível, porque não tirar uns minutos para nós próprios para começar o dia respirando o seu dia, sem pensar. Praticar esse estado de presença consciente ou mindfulness, não é nada que requeira muito do seu tempo e muito menos da sua cabeça!
 
É um estado que possibilita a nossa autoregulação, vivendo no momento presente e aliviando esse excesso de energia na zona da cabeça, essa hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estarmos atentos e conscientes.
 
Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Ora viver na estratosfera é o contrário daquilo que o mundo moderno exige de nós e todas as nossas tarefas ficam dificultadas.
 
Precisamos de Caminhar e sentir os nossos pés no chão! Precisamos de nos enraizar na vida, no aqui e no agora, na nossa capacidade de ação e concretização. Precisamos de nos apropriar do nosso corpo e do nosso sentir. Caminhar possibilita não só a nossa autoregulação como o nosso enraizamento. Quando estamos ligados à terra estamos centrados e conetados a receber e escoar a energia do nosso corpo. Esse processo dá-nos a segurança e a base para que possamos experimentar a vida sem medo e em plenitude.
 
Estar vivo não é um acaso inútil ou um lanche grátis, que nem nos soube assim tão bem! Estar vivo é uma responsabilidade para connosco e para com os outros, para com a nossa felicidade e o nosso caminho! Dizem que felicidade é um instante de vida que vale por si mesmo. Vamos produzir mais instantes aos quais possamos chamar de Felicidade!
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ANA GALHARDO SIMÕES
PSICOTERAPEUTA CORPORAL / ESPECIALIZAÇÃO EM CRIANÇAS E JOVENS
www.espacocrescer.pt
anagalhardo@espacocrescer.pt

​in REVISTA PROGREDIR | ABRIL 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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E se não houvesse amanhã?

1/3/2018

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Apesar de procurarmos constância, estabilidade e controle, o segredo do bem-estar é exatamente o contrário. Aceitar e integrar a impermanência que vive dentro e fora de nós.
Por Sílvia Coelho


in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

 “Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”. Este é um dos meus ditados populares preferidos. Aliás, sou completamente fã de ditados populares. Personificam a ciência do bom-senso, a sabedoria do povo, onde anos de tradição e de observação traçam regras, linhas mestras e princípios de vida. Todos com as suas honrosas exceções, como é evidente. Não há regra sem exceção. No caso deste ditado popular, se olharmos para ele numa perspetiva construtiva, podemos encontrar algumas pistas para reflexão. Mais do que isso: encontramos material suficiente para alicerçamos uma mudança de vida. Ou pelo menos uma mudança na forma como encaramos e enfrentamos o nosso quotidiano.

Esta frase tão simples encerra em si uma sabedoria extraordinária. Eu diria que tudo o que contém um contributo para o alcançar um bem-estar generalizado, já é extraordinário. De uma forma muito direta e autêntica, este ditado popular mostra-nos que nada é eterno. Que nada é para sempre. Que nada permanece. Que nada dura. Nem a dor nem a felicidade. Nem a alegria nem a tristeza. Nada dura para sempre. Ou se quisermos de outra forma, tudo é eterno enquanto dura.

Se conseguirmos ter esta noção verdadeiramente entranhada, enraizada, no pensamento e no coração, a vida torna-se muito mais fácil e muito mais alegre. Garanto! Reparem, se conseguirmos de facto integrar que nada, mesmo nada, é permanente, constante ou estável, vivemos muito mais aliviados. Passamos a viver os momentos presentes. A retirar e absorver tudo o que o aqui e o agora nos vai oferecendo.

Deixamos de estar tão colados ao passado, de repetidamente sentir as suas dores, frustrações, perdas, tristezas e etc.  Deixamos de deprimir. Quando nos focamos muito no passado podemos desenvolver alguma tendência para a depressão. Se continuamente nos focamos no futuro e nos “ses” e “quandos” e no amanhã, podemos dar asas à ansiedade. E, navegando entre o passado e do futuro, gastamos uma energia que não é recuperável nem produtiva. esquecemo-nos de nos focar no momento. No presente. Naquela centelha de tempo onde efetivamente podemos fazer alguma coisa por nós próprios. O aqui e o agora é, na verdade, a única coisa que possuímos. Não somos “donos” nem detentores de absolutamente mais nada. Apenas de cada um dos momentos que por nós passa.

Se soubermos aceitar esta evidência, saberemos desapegar muito melhor. Saberemos tirar da vida todo o substrato que ela tem para nos dar. Podemos centrarmo-nos naquilo que verdadeiramente importa. E não é assim tão difícil compreender a impermanência de tudo o que nos rodeia. Tudo tem um início e um fim. Comecemos por nós próprios. O nosso corpo. Nascemos e morremos. Temos principio e fim. Todo o nosso mundo psicológico vai mudando ao longo da vida. O nosso mundo emocional vai tendo as suas alterações. Aquele amor que quase nos levou à loucura, agora só nos arranca umas boas gargalhadas. Tudo se transforma. Nada permanece. Se formos capazes de entender este princípio universal, a nossa vida torna-se muito mais fácil. Percebemos a incoerência que existe em nos restringirmos, em não expressarmos as nossas emoções, em não vivemos com a maior plenitude possível. Percebemos a inutilidade do controle que exercemos sobre nós e sobre os outros. Não controlamos absolutamente nada. Nada permanece para ser controlado. E, mais uma vez, é apenas energia mal gasta.
 
Há um exercício muito simples que proponho. Pode ser um bocadinho desafiador, mas é verdadeiramente simples. Faço-o muitas vezes. No final do dia, com a cabeça na almofada, em relaxamento, vale a pena pensar o seguinte: “E se eu não acordasse amanhã? Se morresse durante o sono? Teria valido a pena? O que devia ter feito e não fiz? O que deveria ter dito e não disse? O que perdi por medo? O que não experimentei por vergonha de errar? Se formos honestos connosco próprios nas respostas que encontramos, verificamos que na maior parte das vezes, encaramos a vida como se ela fosse eterna. Ou melhor, como se fossemos eternos e como se houvesse sempre um amanhã. Parece-me que vale a pena pensar neste assunto. Nada permanece. Nem nós nem aqueles a quem amamos.
​
A eternidade, a constância, a estabilidade, é verdadeiramente resumida a um momento. Cabe tudo num segundo. Num pequeno instante. Eu diria que vale muito a pena vivermos o dia a dia como se não houvesse amanhã. Isto não quer dizer em euforia ou êxtase. Mas em profunda apreciação do que está ao nosso alcance. Em profunda gratidão com tudo o que por nós passa. Podemos escolher entre ficar agradecidos com o que temos ou ficar frustrado com o que nos falta. Também nesta dimensão da nossa vida, a escolha é nossa. Parece que quanto mais escolhermos viver o momento, mais leve a vida se torna. Não carregamos o peso do passado nem temos medo do futuro.

A esperança também faz sempre parte destes processos de leveza. Se tivermos a esperança de que tudo se transforma, de que tudo é volátil e inconstante, deixamos de gastar energia com o que nos aborrece, zanga ou entristece. Tudo isso vai passar. E quando passa, dá lugar a coisas muito boas. Enche-nos de vida. Peito cheio. Ao termos a consciência plena da impermanência que existe dentro e fora de nós, somos muito mais felizes. Vivemos em vez de sobrevivermos. E esta é a magia que uma gotinha de sabedoria do povo nos pode oferecer. 
​
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SÍLVIA COELHO
PSICÓLOGA
www.magdalagabriel.blogspot.pt
silviafbcoelho@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | MARÇO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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A Magia de uma vida sem Julgamentos

1/2/2018

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Alguma vez pensaste na quantidade de vezes que emites um julgamento por dia? Que consequências tem isso na tua vida? Liber ta-te do julgamento e permite que apareça em cena o teu Eu verdadeiro. Por Yolanda Castillo

in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2018

(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​A vida é uma dádiva com a que cada ser humano é premiado. Temos a capacidade de escolher como desejamos vive-la. Muitos acreditam que é alguém que decide por nós como irá ser a nossa vida. É importante pensar que cada ação, decisão e atitude tornam-se sementes com as quais criamos o nosso caminho e construímos o estilo de vida que desejamos. Somos os responsáveis pela vida que co-criamos.

Tens noção da responsabilidade que tens pela tua própria vida?
Em muitas ocasiões vivemos a vida em função do que se passa fora, do julgamento que os outros fazem sobre nós e as opiniões que tem sobre a nossa forma de estar na vida. Assim, de forma inconsciente acabamos por procurar um outro responsável para não termos de olhar para nós, como diretores da orquestra que escolhemos para viver.

Pára e pensa um instante, como vives a tua vida? Como a nutres?
Nos últimos anos, está na “moda” ter um estilo de vida saudável. Cada vez mais cuidamos do corpo, da alimentação, praticamos desporto, atividades que nos libertem do stress. Isso é muito bom, porque estamos a semear para o presente, mas também para termos uma boa qualidade de vida no futuro.

A questão está em que achamos que isso é suficiente para cuidar do estilo de vida, mas na realidade, falta um ingrediente indispensável: pensar, sentir e ter atitudes que nos permitam estar na mesma frequência interior que a forma como construímos esse mundo exterior.

É um desafio manter esta frequência no dia-a-dia, porque muitos têm hábitos que aprenderam de forma inconsciente, de gerações anteriores ou mesmo do que vivemos socialmente, como julgar.

Se pararmos para analisar um dia quotidiano, quantas vezes julgamos sem dar por ela, tenho a certeza que muitas, porque no nosso berço inconsciente está lá esta semente.

Julgamos grande parte das vezes sem conhecer com pormenores o porquê dessa atitude, circunstância ou acontecimento. Julgamos sem saber o que vai no íntimo dessa pessoa, ou o porque de agir daquela forma naquele momento.

Se cada um de nós é responsável pela sua vida então porque temos como impulso e hábito julgar?
Enquanto crianças, tínhamos um hábito muito importante e que nos teria facilitado a vida adulta: precisávamos de saber o porque das coisas.

Mas porque julgar os outros e inclusive a nós mesmos, se torna um hábito e em consequência um pilar, com que construímos o nosso dia-a-dia e estilo de vida?

Quando vivemos em função do julgamento, seja a julgar os outros ou a nós próprios, não estamos a conseguir levar a vida que desejamos. Embora achemos que sim, porque acreditamos de forma inconsciente que enquanto julgamos o outro, não olhamos para nós.

Julgar torna-se mais fácil, do que nos confrontarmos com milhares de espelhos que nos mostram as feridas emocionais que guardamos em nós, na nossa história e na nossa essência. Julgamos para evadir a responsabilidade que temos em que a nossa vida não seja a desejamos, ou pelo menos, não com os matizes que sempre sonhamos. É um hábito tão enraizado em nós, que grande parte das vezes, não conseguir olhar para além do julgamento, e perceber que julgar, é a maneira que arranjamos de não atender as nossas próprias necessidades.

Sim, essas necessidades que nos fazem sentir plenos e abertos ao mundo. Essas que nos permitem abrir as asas à vida e desfrutar dela, sendo conscientes e estando presentes.

Estar na energia do julgamento, faz com que vibremos em uma energia negativa, pouco saudável e que sem dúvida, pouco espaço ou nenhum nos dá, para parar e construir hábitos de vida que nos permitam ser quem gostávamos de ser na realidade e viver desfrutando dos prazeres que nos dá a vida. Porque quando algo tão sagrado como a vida nos é oferecido, nós temos a responsabilidade de cuidar dela como um grande tesouro.

Se o nosso desejo é construir um Eu livre e uma vida com espaço para vivê-la como tal, porque substituímos o julgar, por permitir?

Permite-te olhar para ti mesmo, nesses mil espelhos que mostram as tuas feridas mais profundas, sem medo, sem julgamento. O que pode acontecer?

Quando olhas para ti sem julgamento, aceitas o que estás a ver, navegas nesses espelhos, porque neles não vais encontrar nada de mau, só um outro tu, que precisa de amor, para deixar de se julgar, de julgar os outros, para se sentir superior ou satisfeito.

Viver a vida sem julgar os outros, é uma janela aberta para um estilo de vida diferente. Agora sim podemos dizer que saudável e prazeroso por completo. Que consegues apreciar a beleza da vida, desfrutar de ti próprio e criar novos momentos.

Quebra as barreiras do julgamento, sê tu, sem medos. Convive com os outros sendo cada um deles tal como é. Permite-te perceber que têm o seu espaço para aprender e evoluir, e também viver um estilo de vida mais saudável.

Aprender a viver desde a aceitação e largar o julgamento, é também uma semente educativa para a família e para os mais próximos. Libertar do julgamento, permite criar uma sociedade com vidas mais agradáveis e satisfatórias.
​
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YOLANDA CASTILLO
TERAPEUTA HOLÍSTICA, DOULA E NATUROPATA
centromholistica5.wixsite.com/centromholistica
centro.medicina.holistica2013@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | FEVEREIRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

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Como vencer o medo da perda?

1/1/2018

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Falar do trabalho do luto é falar do trabalho de elaboração de uma perda que se vive e quanto mais significativa é essa perda, maior é o período de tempo de que o sujeito precisa para se recuperar.
Por Maria Farinha

​
in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2018
(clique no link acima para ler o artigo na Revista)

​Era uma vez o génio da lâmpada que andava a passear e encontrou uma menina, que parecia estar triste. Foi ter com ela:
- Génio: Olá, eu sou o génio da lâmpada e como me encontraste posso conceder-te três desejos.
- Menina: Que tipo de desejos?
- Génio: De todos os tipos.  Eu sou um génio, tenho muito poder e posso dar-te tudo o que tu me pedires.
- Menina: A sério?
- Génio: Claro que é a sério, já ando nisto há muito tempo. Já realizei desejos a muitas pessoas, de todas as idades. 
- Menina: Hum, eu não sei se tu tens o que eu preciso.
- Génio: Claro que tenho, basta dizeres-me o que é e estará aqui dentro de segundos.
- Menina: Não sei se podes dar-me o que eu desejo, génio.
- Génio: Diz-me lá, do que se trata? É um castelo com princesas? É uma boneca que fala?É um tablet?
- Menina: Não, génio.  Nada disso.  O que eu desejo …..é vencer o medo.
O génio não percebeu o desejo da menina, ficou a pensar por alguns segundos e respondeu:
- Génio: Vencer o medo? Medo de quê? Do que é que tens medo?
- Menina: Medo de perder as pessoas de quem gosto. Medo de não saber viver sem elas. Medo de ficar triste para sempre.
 
Falar de luto é falar de perda.Essa perda pode ocorrer na ausência ou na presença, isto é, o luto não ocorre apenas quando se está perante um falecimento, mas também quando há uma separação física de alguém que continua na vida da pessoa.

O luto é, por excelência, uma das tarefas psicológicas mais difíceis de executar. Falar do trabalho do luto é falar do trabalho de elaboração de uma perda que se vive e quanto mais significativa é essa perda, maior é o período de tempo de que o sujeito precisa para se recuperar.

O trabalho de luto implica retirar o investimento que se colocou num determinado objeto (pessoa) que se perdeu e voltar a colocá-lo no próprio para o utilizar mais tarde, quando houver disponibilidade para tal.  O trabalho do luto passa assim por um desprendimento emocional, uma alteração do vínculo emocional relativamente ao objeto perdido.

Do ponto de vista cognitivo, o processo de luto decorre a uma velocidade superior à do ponto de vista emocional.

As emoções associadas a qualquer perda necessitam de mais tempo para se aconchegarem, para se reequilibrarem, mesmo que se tenha consciência de que a pessoa já não está presente, nem disponível.
É salutar elaborar o luto, elaborar as perdas sofridas.  Ficar triste é fundamental, pois se um luto não for devidamente elaborado corre-se o risco de entrar numa via depressiva mais neurótica ou mais psicótica, ou mesmo num luto patológico.

No luto estão presentes, não apenas a pena e a tristeza de não poder continuar a investir naquele objeto, mas também a zanga, pois quem fica sente ou acha que foi abandonado por quem partiu ou deixou de estar presente.

Nesse sentido torna-se necessário que o sujeito expresse a sua dor, a sua tristeza, a sua raiva e a sua zanga.Ao confrontar-se com a zanga o sujeito confronta-se também com a sua própria finitude, com os seus próprios limites e com tudo o que ainda terá de viver sem a presença do outro, tendo ainda de reorganizar o seu mundo interno de outra forma.
​
Com o passar do tempo o sujeito começa a perceber que, da mesma forma que se sentiu abandonado, também precisa de abandonar o outro, ou seja, precisa de ir desinvestindo nesse objeto perdido e atribuir-lhe um outro lugar na sua vida.  Quando isto ocorre, o luto está elaborado. A culpa dissipa-se, o medo esvai-se e o pensamento começa a reorganizar-se.
 
O génio voltou a conversar com a menina e disse-lhe:
- Génio: Tens razão, eu não posso dar-te o que desejas, mas posso ajudar-te. Posso conceder-te outros desejos.
- Menina: Quais?
- Génio: A cura e o tempo.
- Menina: E para que servem?
- Génio: A cura vai ajudar-te a vencer o medo que tu sentires. E o tempo vai estar sempre contigo, como um amigo, com quem poderás sempre contar para conversar, rir, chorar ou simplesmente pensar.

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MARIA FARINHA
PSICÓLOGA CLÍNICA
www.facebook.com/mariafarinhapsiclinica
www.akademiadoser.com/mariafarinha
mjfarinha@gmail.com

in REVISTA PROGREDIR | JANEIRO 2018
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